| # | MODELO | PREÇO MÉD. | NOTA | IDEAL PARA | LINK |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Strinberg STS100 | R$ 690–880 | ★★★★½ 4,6 | Intermediário, som limpo, crunch | Ver preço → |
| 2 | Memphis MG32 | R$ 700–900 | ★★★★☆ 4,0 | Iniciante, orçamento apertado | Ver preço → |
Braço e conforto: onde a STS100 ganha de lavada
Peguei a Memphis primeiro. O braço tem verniz brilhante — daquele que gruda quando a mão sua. Nos primeiros 5 minutos, ok. Depois de 20 minutos tocando, meu polegar já estava arrastando em vez de deslizar. Precisei parar e secar a mão duas vezes.
Troquei pra STS100. Acabamento acetinado no braço. A mão deslizou imediatamente. Nenhuma grudação, nenhuma parada. Toquei 40 minutos sem perceber o tempo passar. Essa diferença sozinha, na minha opinião, já justifica os R$ 300 a mais.
O perfil é parecido nas duas — C médio, confortável pra mãos médias e grandes. Mas a STS100 pareceu um pouco mais fina na espessura do nut (42mm vs 43mm da Memphis). Diferença sutil, mas você sente nos acordes abertos.
Som: definição vs genérico
Pluguei as duas no mesmo amp (Boss Katana Mini, som limpo, volume 4). Mesmo cabo, mesma posição de chave — posição do meio, o clássico "quack" de Strat.
A STS100 tinha mais clareza. Cada corda se ouvia separada, principalmente em acordes abertos. Um D maior soava completo — dava pra distinguir cada nota. Com a Memphis, o mesmo D maior soava um pouco embolado, como se as frequências se misturassem no meio.
Com distorção pesada, a diferença diminuiu bastante. As duas soavam "ok" — nenhuma soava profissional, nenhuma soava ruim. Se você toca metal com gain na máxima o tempo todo, a diferença de captador importa menos. Mas pra blues, soul, ou qualquer coisa que dependa de dinâmica, a STS100 responde diferente ao toque.
Afinação e hardware
Afinei as duas e toquei 30 minutos cada, incluindo bends. A STS100 manteve afinação o tempo inteiro. Fiz bends de tom inteiro na 2ª corda umas 20 vezes — quando soltava, voltava afinada. As tarraxas seguram bem.
A Memphis desafinou a 3ª corda depois do terceiro bend. Clássico. O nut estava travando — a corda fazia um "ping" sutil ao soltar o bend. Passei grafite no sulco e melhorou uns 70%, mas não resolveu completamente. Provavelmente precisa de ajuste com lima no luthier.
A ponte tremolo da STS100 funciona razoavelmente — dá pra fazer vibratos leves sem desafinar muito. A da Memphis eu travaria na hora. Cada mergulho desafinava tudo.
Trastes e acabamento
Passei o dedo pela lateral dos trastes das duas. Na STS100: lisos, nenhum ponto agressivo, uniforme do 1º ao 22º. Na Memphis: o 5º e o 9º traste tinham uma rebarbinha na borda da escala, do lado dos graves. Não era cortante, mas dava pra sentir claramente.
Em guitarra de R$ 2.000, isso seria inaceitável. Em guitarra de R$ 800, é comum — mas a STS100 de R$ 1.100 não tinha. Isso diz bastante sobre o controle de qualidade de fábrica.
O acabamento do corpo é simples nos dois modelos. Nenhuma delas parece premium visualmente. São guitarras de trabalho, não de vitrine. A Memphis tem gloss mais pesado, a STS100 tem um brilho mais contido — eu prefiro assim.
Prós e contras: STS100 vs MG32
Strinberg STS100
- ✔ Braço acetinado — não gruda, desliza mesmo com mão suada
- ✔ Captadores com mais clareza e definição por corda
- ✔ Hardware melhor — mantém afinação com bends intensos
- ✔ Trastes sem rebarbas — acabamento superior para o preço
- ✘ R$ 200–300 mais cara que a Memphis MG32
- ✘ Tremolo perde afinação com uso intenso de alavanca
Memphis MG32
- ✔ Preço mais acessível — bom ponto de entrada absoluto
- ✔ Fácil disponibilidade em lojas físicas
- ✘ Braço com verniz brilhante — gruda com a mão suada
- ✘ Captadores "flat" — som menos definido em acordes abertos
- ✘ Tremolo desafina a cada mergulho de alavanca
- ✘ Rebarbas nos trastes 5 e 9 — acabamento inferior
Pra quem cada uma serve
Será que faz sentido pagar R$ 300 a mais só por um braço acetinado e trastes melhor nivelados? Depende de como você vai usar.
Memphis MG32 pra você se:
- Orçamento travado em R$ 800–900, sem margem nenhuma
- Quer testar se vai levar guitarra a sério antes de investir mais
- Toca com muita distorção (a diferença de captador importa menos)
- Vai fazer regulagem no luthier de qualquer forma
Strinberg STS100 pra você se:
- Pode esticar até R$ 690–880
- Valoriza conforto e quer tocar sessões longas
- Gosta de som limpo e crunch (onde a definição realmente importa)
- Quer uma guitarra que funcione por 2–3 anos sem pensar em upgrade
STS100, sem hesitar. A diferença de R$ 300–400 compra uma experiência significativamente melhor — braço acetinado, captadores mais definidos, afinação que não te incomoda no meio do ensaio. Tive as duas. A Memphis ficou de backup e eventualmente vendi. A STS100 continua comigo. Os R$ 300 a mais se pagaram em conforto na primeira semana de uso.