O que é ação, na prática
Ação é a distância entre a corda e o traste. Alta demais, você faz força, a mão cansa em quinze minutos e acorde com pestana vira tortura. Baixa demais, a corda encosta nos trastes e você ganha aquele chiado metálico no lugar da nota.
A referência que uso é medir no 12º traste, com a guitarra na posição de tocar (em pé, não deitada — o braço flexiona diferente). Para guitarra elétrica, algo entre 1,6 mm e 2,0 mm na 1ª corda e 2,0 mm a 2,4 mm na 6ª atende bem a maioria das pessoas.
Esses números não são lei. Quem toca pesado, com palhetada forte, precisa de um pouco mais de altura para a corda não bater. Quem faz muito solo e legato prefere mais baixo e aceita um chiado leve em troca.
A ordem certa: relevo primeiro, ação depois
Esse é o ponto que separa quem consegue de quem desiste.
O relevo é a curvatura do braço, controlada pelo tensor (truss rod). O braço não deve ficar reto como uma régua — precisa de uma barriga levemente côncava para a corda vibrar sem bater no meio da escala.
Se o relevo estiver errado, qualquer ajuste de ação vira remendo: você sobe a ponte para parar o chiado no meio do braço e aí a ação fica alta demais nas primeiras casas. Ajusta um lado, estraga o outro. É sinal de que o problema não era a ação.
Como medir o relevo em trinta segundos
Prenda a 6ª corda no 1º traste com uma mão e no traste onde o braço encontra o corpo (por volta do 17º) com a outra. A corda vira uma régua reta. Olhe a folga no 8º traste.
Deve haver uma frestinha, quase nada — da espessura de uma folha de papel sulfite. Sem folga nenhuma, o braço está reto demais e vai trastejar. Folga grande demais, o braço está arqueado e a ação fica alta no meio da escala por mais que você baixe a ponte.
Ajustando a ação
Com o relevo certo, aí sim você mexe na ponte. Como isso funciona depende do tipo:
Ponte tipo Strato (selas individuais): cada corda tem dois parafusinhos allen que sobem e descem a sela. Dá controle fino corda a corda, mas dá mais trabalho — e você precisa manter o raio da escala, ou seja, as cordas do meio ficam levemente mais altas que as das pontas.
Ponte tipo Tune-o-matic (Les Paul): dois parafusos, um de cada lado, sobem e descem a ponte inteira. Muito mais rápido, mas o raio já vem definido pela ponte.
Ajuste de pouco em pouco e reafine sempre depois de mexer — mudar a altura muda a tensão e a afinação sai do lugar. Medir com a guitarra desafinada dá leitura errada.
Depois de mexer na ação, confira a oitava
Mudar a altura das cordas muda o comprimento efetivo delas. Resultado: a guitarra afina perfeito nas cordas soltas e sai de tom a partir do 12º traste.
Teste: toque o harmônico no 12º traste e depois a nota pressionada no 12º. Devem dar a mesma leitura no afinador. Se a nota pressionada estiver alta, a sela precisa recuar; se estiver baixa, avançar. É um parafuso por corda, na direção do comprimento.
Quando vale levar no luthier
Regulagem completa custa entre R$ 80 e R$ 150 na maioria das cidades, e inclui relevo, ação, oitava e uma conferida nos trastes. Se você nunca mexeu, pagar a primeira e assistir vale mais que qualquer vídeo.
Leve também se: o tensor está travado ou range, a ação continua alta com a ponte no fundo (sinal de pestana alta ou braço com problema), ou o chiado persiste em casas específicas depois de tudo ajustado — aí são trastes desnivelados, e nivelar traste não é serviço de casa.
Perguntas Frequentes
Regulo ação em casa sem medo, mas tensor eu mexo de 1/4 de volta e espero até o dia seguinte — já apressei uma vez e passei uma semana corrigindo. Na guitarra que uso mais, deixo a ação um pouco acima do mínimo: perco um tiquinho de conforto no solo e ganho ataque mais limpo nos acordes, que é onde passo a maior parte do tempo.