As 5 Guitarras Brasileiras que Mais Surpreendem
| # | Modelo | Por que surpreende | Ver |
|---|---|---|---|
| 1 | Tagima TG-530 Woodstock | Braço fino, ação de fábrica que quase não precisa de ajuste | Ver detalhes → |
| 2 | Tagima TW-55 | Twang de Telecaster de verdade, com captador lipstick raro nessa faixa | Ver detalhes → |
| 3 | Tagima Les Paul Almach | Sustain grosso que ninguém espera de uma nacional | Ver detalhes → |
| 4 | Strinberg STS-100 | Abaixo de R$ 900 e ainda assim seguro pra recomendar | Ver detalhes → |
| 5 | Tagima Sixmart | Três captadores e trêmolo — versatilidade rara nessa faixa | Ver detalhes → |
Por que guitarra nacional ainda surpreende quem já toca há anos?
Já reparou como todo guitarrista mais velho tem aquela implicância automática com "guitarra brasileira"? Eu tinha. Cresci ouvindo que nacional era sinônimo de trasteira ruim, captador sem graça e madeira que empenava no primeiro verão. Boa parte disso era verdade — nos anos 90 e começo dos 2000.
O problema é que essa fama ficou congelada no tempo, e quem parou de testar guitarra nacional há dez, quinze anos simplesmente não viu a evolução acontecer. Fábricas como Tagima e Strinberg mudaram fornecedor de hardware, apertaram o controle de qualidade e passaram a copiar formatos consagrados com mais precisão. O resultado é que hoje existem modelos nacionais que enganam guitarrista experiente na primeira mão na guitarra — já vi isso acontecer, inclusive comigo.
Esta lista não é sobre "a melhor guitarra do mundo pelo preço". É sobre cinco instrumentos específicos que, na minha experiência tocando cada um, entregam mais do que o preço sugere — e por motivos diferentes cada um.
1. Tagima TG-530 Woodstock — a que convenceu quem tocava importada
Comecei por essa porque é a que mais vezes me fez ouvir "essa aqui é nacional mesmo?" de gente que já tocou coisa mais cara. A TG-530 chegou com ação um pouco alta de fábrica, como quase toda guitarra dessa faixa — precisei regular. Mas depois de ajustada, o braço fino em formato C surpreende: dá pra fazer bend sem esforço, sem aquela sensação de "estar lutando contra o instrumento" que guitarra nacional velha tinha.
O captador da ponte é mais estridente do que eu esperava no começo — baixei o tone um pouco pra suavizar. Fora isso, os três single coils cobrem bem rock, blues e pop, do jeito clássico de uma Strat. É a guitarra que mais recomendo pra quem já toca há alguns anos e quer uma segunda guitarra barata sem abrir mão de qualidade real. Testamos em detalhe no review completo da TG-530.
2. Tagima TW-55 — o twang de Telecaster que ninguém espera de nacional
Telecaster nacional costuma decepcionar num ponto específico: o captador da ponte sai abafado, sem aquele corte metálico que define o formato. A TW-55 não tem esse problema. Toquei ela ligada direto no ampli, sem pedal nenhum, e o "twang" saiu na cara — cortante o suficiente pra funcionar em country-rock e blues mais seco. A ponte é fixa, string-through-body como na Telecaster original, o que segura a afinação muito melhor do que qualquer strat nacional com trêmolo.
O que realmente surpreende é o captador lipstick no braço — não é um lipstick de verdade como o da Danelectro, é uma cápsula cerâmica com a mesma cara, mas o timbre mais redondo e levemente comprimido é diferente de qualquer single coil de braço que já toquei em guitarra nacional. O que não é perfeito: o nut é de plástico e as tarraxas são diecast simples, então desafina um pouco mais rápido do que eu gostaria nas primeiras semanas — nada que um luthier não resolva. Detalhamos tudo isso no review completo da TW-55.
3. Tagima Les Paul Almach — o sustain que ninguém espera de guitarra nacional
Essa é a que mais gera cara de espanto quando alguém pega. Corpo em basswood com mogno, braço aparafusado (não é set neck como a Gibson original), mas o peso — entre 3,6 e 4,0 kg — já entrega parte do recado antes de tocar a primeira nota. Os humbuckers cerâmicos são grossos no médio, ótimos pra riff de rock clássico e blues mais pesado.
Onde ela decepciona um pouco: o limpo fica meio abafado, típico do formato Les Paul, mas mais evidente aqui do que numa Epiphone de captador melhor. E o braço aparafusado, mesmo bem encaixado, não entrega o sustain "infinito" de uma Les Paul com set neck de verdade. Ainda assim, pra quem nunca tinha sentido o peso e o médio grosso de uma Les Paul na mão, é revelador — comparamos ela direto com a Epiphone pra quem quer ver se vale pagar mais.
A mais barata da lista e a mais versátil ainda vêm aí embaixo — inclusive a que resolve o problema de quem ainda não tem amplificador.
4. Strinberg STS-100 — abaixo de R$ 900 e ainda assim segura
Confesso que fui tocar essa guitarra já esperando decepção — é a mais barata da lista, na faixa de R$ 650 a R$ 850. Não foi o que aconteceu. A ação de fábrica veio mais decente do que eu esperava, e o acabamento do braço, apesar de umas rebarbas discretas no headstock, não atrapalha o bend.
O captador da ponte fica agudo demais no drive, isso é real — não dá pra fingir que não incomoda. Mas pro preço que pede, é a prova de que dá pra recomendar guitarra abaixo de R$ 900 sem culpa, desde que seja essa e não uma sem marca qualquer. Vale o review completo da STS-100 se você está decidindo entre ela e a TG-530.
5. Tagima Sixmart — versatilidade que a maioria das nacionais não oferece
A maioria das guitarras nacionais de entrada vem com uma única configuração de captador, ponto. A Sixmart quebra isso: humbucker cerâmico na ponte, dois single coils no meio e no braço, ponte com trêmolo funcional. Isso significa cobrir de metal clássico a blues limpo com a mesma guitarra — algo que eu simplesmente não esperava encontrar em nacional de R$ 1.100 a R$ 1.400.
O peso incomoda um pouco: corpo de tília sólida que pesa cerca de 3,4 kg, sentido no ombro depois de uns 40 minutos em pé com correia ruim. E a ponte trêmolo desafina se você forçar demais em dive bomb de metal moderno — pra isso, melhor procurar algo com ponte fixa. Mas como segunda guitarra pra quem quer variar de timbre sem comprar duas, é a que mais surpreende pela versatilidade. Detalhamos tudo no review da Sixmart.
Se fosse comprar só uma pra mim agora, seria a TG-530 — é a que menos me deu trabalho de regular e a que mais gente de fora achou que era importada. Mas se o objetivo é sentir o que uma Les Paul de verdade entrega sem gastar o preço de uma, a Almach vale o desconforto do peso extra. A única que eu não recomendaria como guitarra única, apesar de gostar dela, é a STS-100 — funciona bem, mas eu a trocaria assim que o orçamento permitisse.