Dá pra confiar numa guitarra que custa menos de R$ 800? A Memphis MG30 é a resposta da Tagima pra quem quer gastar o mínimo possível sem cair numa furada — mas será que economizar esses R$ 100 ou R$ 200 a menos que a TG-530 realmente compensa?
Veredicto rápido: A Memphis MG30 custa entre R$ 690 e R$ 850 dependendo da cor e do vendedor. É a strato mais barata com nome Tagima no mercado nacional. Acabamento honesto para o preço, captadores cerâmicos que cumprem o básico, braço confortável. O peso é o ponto que mais pesa (literalmente) contra ela. Para primeira guitarra com orçamento apertado, ainda faz sentido — mas vale comparar com a TG-530 antes de fechar.
| # | MODELO | PREÇO MÉD. | NOTA | IDEAL PARA | LINK |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Memphis MG30 TOP PICK | R$ 690–850 | ★ 4.2 | Iniciante, orçamento apertado | Ver preço → |
| 2 | Strinberg STS 100 | R$ 700–900 | ★ 4.5 | Blues, Rock, Pop | Ver preço → |
| 3 | Tagima TG-530 | R$ 800–1.000 | ★ 4.4 | Rock, Pop | Ver preço → |
| 4 | Yamaha PAC112V | R$ 3.000–3.800 | ★ 4.8 | Intermediário | Ver preço → |
Ficha Técnica
- ✓ O preço mais baixo da linha Tagima com corpo basswood
- ✓ Captadores cerâmicos funcionam bem no clean e no crunch leve
- ✓ Braço perfil C confortável, boa pegada pra mão pequena
- ✓ Peças e captadores padrão strat — fácil achar upgrade depois
- ✓ Headstock com identidade visual própria, não é clone genérico
- ✗ Mais pesada que a média da categoria (±4 kg)
- ✗ Tremolo perde afinação com uso mais agressivo
- ✗ Setup de fábrica costuma vir com ação alta
- ✗ Acabamento tem menos capricho que a TG-530 de perto
Design e acabamento
Tirando a MG30 da caixa, a primeira coisa que chama atenção é o headstock — tem o logo "Memphis" gravado, nada de decalque genérico. Isso já diferencia de várias concorrentes na mesma faixa de preço que usam headstock sem identidade nenhuma.
O acabamento em preto brilhante que testamos está uniforme, sem bolhas visíveis, mas a camada de verniz é perceptivelmente mais fina que a da Strinberg STS 100 — se você passar a unha de leve na borda do corpo, sente a diferença. Não é motivo pra descartar a compra, só não espere o mesmo capricho de um modelo R$ 200 mais caro.
O peso é onde a MG30 decepciona um pouco: pesamos em torno de 4 kg, quase 700g a mais que a STS 100. Depois de 40 minutos tocando em pé com a correia, o ombro já reclama — principalmente pra quem está começando e ainda não tem o hábito. Sentado, o problema some.
Como ela soa na prática
Os três captadores cerâmicos entregam um som mais agressivo e menos "doce" que os single coils da STS 100 — faz sentido, cerâmico costuma ter mais output que alnico. No clean, a posição do meio ainda tem aquele brilho característico de strato, mas com um pouco menos de nuance nos harmônicos.
Testamos no mesmo amp de 15W usado nas outras reviews da série, com EQ plana. Na ponte, o som fica cortante — bom pra rock e pop com um pedal de overdrive na frente. No braço, mais encorpado, funciona razoavelmente bem pra blues, mas sem a mesma riqueza que sentimos na TG-530.
O zumbido dos single coils aparece, como é normal nessa categoria toda. Em ambiente com muito aparelho eletrônico ligado por perto, o hum incomoda. Nada que um noise gate ou um pouco de cuidado com o posicionamento não resolva.
A MG30 costuma ter variação de preço entre vendedores. Vale checar o Mercado Livre agora para não perder promoção.
Construção e materiais
O corpo em basswood segue o mesmo padrão das concorrentes diretas — madeira leve, resposta equilibrada. Curiosamente, mesmo com corpo em basswood, o peso final ficou mais alto que o esperado; isso costuma variar de peça a peça nessa faixa de preço, já que o corte da madeira não é tão controlado quanto em linhas mais caras.
O braço de maple parafusado tem perfil C, confortável pra mão média. A escala é tech wood — uma madeira sintética/composta que a Tagima usa como alternativa ao rosewood, com aparência escura similar e menos variação por umidade. Na prática, o tato é liso e não precisa de óleo de limão como o rosewood tradicional.
Os 22 trastes vieram razoavelmente nivelados no nosso exemplar, mas senti um leve buzz na 14ª casa da 6ª corda antes do ajuste — comum em guitarras dessa faixa que não passam por um setup mais rigoroso antes de sair da fábrica.
A ponte tremolo vintage de 6 parafusos segue a mesma limitação de praticamente toda guitarra até R$ 1.000: vibratos suaves funcionam, mergulhos fortes desafinam. Comparando lado a lado com a STS 100, achei o retorno do braço da MG30 um pouco menos preciso — não é grave, mas dá pra sentir numa comparação direta.
Como ela se compara às concorrentes
Vale gastar mais R$ 100 ou R$ 200 numa Strinberg STS 100 ou numa Tagima TG-530? Depende do seu orçamento. Veja o que cada uma entrega:
| # | MODELO | CORPO | CAPTADORES | PREÇO MÉD. | NOTA |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Memphis MG30 | Basswood | SSS cerâmico | R$ 690–850 | ★ 4.2 |
| 2 | Strinberg STS 100 | Basswood | SSS | R$ 700–900 | ★ 4.5 |
| 3 | Tagima TG-530 | Basswood | SSS | R$ 800–1.000 | ★ 4.4 |
Na prática, a diferença entre as três não é gigante — todas usam corpo basswood e configuração SSS. A MG30 ganha no preço de entrada, mas perde um pouco em acabamento e peso. A TG-530 tem hardware visivelmente mais robusto e captadores um pouco mais equilibrados. Se o orçamento permitir os R$ 100 a mais, a STS 100 costuma entregar mais guitarra pelo dinheiro.
Veredicto: compra ou não?
A MG30 cumpre o que promete: ser a porta de entrada mais barata pra quem quer uma guitarra com nome Tagima por trás. Não é a mais refinada da categoria, mas também não tem nenhum problema que atrapalhe o aprendizado.
O acabamento é honesto para o preço. Os captadores cerâmicos funcionam, mesmo sem a mesma nuance das concorrentes. O peso é o principal ponto negativo — se você vai tocar de pé por longos períodos, vale considerar isso antes de comprar.
Para quem tem o orçamento mais apertado e quer economizar cada real possível na primeira guitarra, a MG30 é uma escolha razoável. Para quem consegue esticar o orçamento em R$ 100 ou R$ 200, a STS 100 ou a TG-530 entregam um pouco mais de instrumento.
Quem não deveria comprar: quem toca de pé com frequência e é sensível ao peso do instrumento, ou quem já tem o orçamento pra pular direto pra faixa acima de R$ 1.000.
Se o orçamento for mesmo até R$ 800, levo a MG30 sem drama — ela cumpre. Mas se eu tivesse mais R$ 100 sobrando, ia direto pra Strinberg STS 100: o peso menor e o acabamento mais caprichado fazem diferença no dia a dia, principalmente pra quem está começando e vai passar horas com o instrumento no colo. E se o orçamento chegasse em R$ 3.000, a Yamaha PAC112V nem entra em discussão — é outro patamar.
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