| Pau ferro | Rosewood | Maple | |
|---|---|---|---|
| Cor | Marrom escuro, com tons arroxeados | Marrom escuro a quase preto | Clara, amarelada |
| Acabamento | Sem verniz | Sem verniz | Geralmente envernizada |
| Toque | Sedoso, levemente oleoso | Sedoso, mais poroso | Liso e "vítreo" |
| Som (tendência) | Médios cheios, agudos controlados | Quente, agudos macios | Brilhante, ataque cortante |
| Manutenção | Hidratar 1–2 vezes por ano | Hidratar 1–2 vezes por ano | Só limpar |
| Comércio | Sem a licença exigida ao rosewood | Dalbergia exige licença CITES | Sem restrição |
A Strinberg SHN6 Next no Mercado Livre vem com escala de pau ferro de 24 trastes. Mais abaixo você vê os detalhes.
O que é pau ferro na guitarra?
Pau ferro é o nome que a indústria usa para uma madeira sul-americana de grão fechado, dura e pesada, aplicada quase sempre na escala do instrumento. É a parte do braço onde ficam os trastes, e a que seus dedos tocam o tempo todo. Ninguém faz corpo de guitarra com ela. Ela existe ali por causa da dureza e do jeito que envelhece bem.
O nome confunde. No Brasil, "pau-ferro" também é o nome popular de outras árvores, usadas em móveis e construção. Na luthieria, quando um fabricante como a Fender escreve pau ferro na ficha técnica, está falando de uma madeira específica, geralmente identificada como Machaerium scleroxylon (também vendida como "morado" ou "Bolivian rosewood"). Então, se você pesquisou "pau ferro" e caiu em foto de porta e janela, é essa a confusão.
Por que o pau ferro entrou no lugar do rosewood
Durante décadas, escala escura de guitarra era sinônimo de rosewood (jacarandá). O problema é que as espécies do gênero Dalbergia foram ficando ameaçadas, e desde 2017 todas elas passaram a exigir licença para o comércio internacional pela convenção CITES. Para fabricante que exporta instrumento, isso virou papelada, atraso e custo.
O pau ferro resolveu o problema sem mudar a cara da guitarra. Ele tem a cor escura, o toque sem verniz e a densidade que o público já associava ao rosewood. Por isso hoje é a substituta mais comum em guitarras e baixos de entrada e de linha intermediária, como já comentamos no comparativo entre maple e rosewood.
Pau ferro muda o som?
Muda um pouco, e é bom ser honesto sobre esse "pouco". A escala é uma parte da madeira do braço que vibra junto com a corda, então ela participa do timbre. Só que o peso dela na conta final é pequeno perto do captador, do amplificador e das suas mãos.
O que as pessoas costumam descrever: médios mais cheios, agudos mais controlados que na maple e um ataque menos "estalado". É uma diferença de temperamento, não de gênero musical. Numa gravação com banda, ninguém identifica a madeira da escala.
O que você sente na mão: mais do que no ouvido. A escala sem verniz tem um toque seco e sedoso, e deslizar o dedo em bends e vibratos fica mais confortável para quem suja a mão. Isso costuma pesar mais na decisão do que qualquer análise de espectro. O teste com duas Squier Classic Vibe Telecaster idênticas, uma com maple e outra com pau ferro, está no artigo Escala Maple ou Rosewood. Para ver o peso de cada peça no timbre, leia o que realmente influencia no timbre.
Como saber se a guitarra tem pau ferro de verdade
A ficha técnica manda. Procure por "pau ferro", "pau-ferro" ou, em ficha importada, "pau ferro fingerboard". Alguns fabricantes escrevem "Bolivian rosewood" ou "morado" para a mesma madeira. Se a loja só escreve "escala escura", "escala de madeira" ou "escala tipo rosewood", a palavra que falta é justamente o nome da madeira.
Dá para tirar a dúvida na loja: pergunte ao vendedor a madeira da escala e peça para ver o modelo de perto. O pau ferro tem poros visíveis, veios irregulares e tom que varia do marrom ao violeta. Material composto costuma ter um padrão muito uniforme, quase "carimbado". Nenhuma dessas pistas é infalível, mas juntas ajudam.
Em guitarra usada, o cuidado é dobrado. Se o anúncio não diz a madeira, mande uma foto da escala e pergunte pela marca e pelo ano. E na dúvida, o guia guitarra usada vale a pena? tem o roteiro de inspeção completo.
Como cuidar de uma escala de pau ferro
A escala de pau ferro não leva verniz, então ela pede um pouco de atenção. Duas vezes por ano é suficiente: tire as cordas, limpe a sujeira acumulada nas bordas dos trastes com um pano seco, passe um fio fino de óleo de limão, espere alguns minutos e tire o excesso.
Madeira ressecada racha na beirada, e trastes começam a saltar. Só a manutenção evita isso. O passo a passo completo, com o que usar e o que evitar, está no guia de como limpar e hidratar o braço da guitarra.
Um frasco pequeno dura anos. É o item mais barato que protege uma escala de pau ferro ou rosewood.
Guitarra com escala de pau ferro: um exemplo
Não vamos montar ranking aqui. O tema é a madeira, não uma lista de compras. Mas um modelo que já passou pela bancada da redação e tem pau ferro de fato na ficha técnica é a Strinberg SHN6 Next.
Não é guitarra para quem quer só descobrir se gosta de pau ferro. É um modelo de perfil mais específico, com escala multiescala que estranha nos primeiros dias. Serve como referência de uma marca nacional que usa a madeira de verdade. A análise completa está na review da SHN6 Next.
Três mitos sobre pau ferro
"Rosewood sempre soa melhor." É a frase mais repetida em fórum. Na prática, quando o resto da guitarra é o mesmo, a maior parte das pessoas não acerta a madeira da escala num teste às cegas. O rosewood tem a fama, o pau ferro tem o mesmo toque. Já vimos esse argumento se desfazer no teste com duas Telecaster.
"Pau ferro é madeira de segunda linha." Também não. É uma madeira densa, estável e com bom histórico de uso em instrumentos. Ela só não tem o prestígio histórico do jacarandá. Em algumas guitarras de linha média e até de nível mais alto, é a madeira escolhida de propósito.
"Escala escura é sinônimo de pau ferro." Esse é o mito que custa dinheiro. Escala escura pode ser rosewood, pau ferro, ébano, laurel, madeira composta ou até maple tingida. Cada uma tem preço, durabilidade e manutenção diferentes. Por isso vale sempre olhar a ficha.
Pau ferro em baixo e em violão
O uso não se limita à guitarra elétrica. Em baixos, a lógica é a mesma: escala escura sem verniz, densa, que aguenta bem o desgaste das cordas mais grossas. Em violões, as madeiras da escala e da ponte variam bastante conforme a faixa de preço, e muitos modelos de entrada usam laurel ou madeiras compostas. Por isso a regra da ficha técnica vale também aqui.
Se o seu interesse é baixo, veja os melhores baixos de 5 cordas e compare as fichas com o que você aprendeu neste guia.
Vale pagar mais por pau ferro?
Depende do que a diferença de preço compra de verdade. Se a mesma guitarra vem em duas versões, uma com escala de laurel e outra com pau ferro, e a diferença é pequena, o pau ferro é uma boa escolha: dura mais, envelhece melhor e tem o toque que muita gente gosta.
Se a diferença é grande, ou se a guitarra com pau ferro tem captador e ferragem piores, não vale. Um bom captador e uma regulagem bem feita mudam muito mais o som do que a madeira da escala. Se você está começando, gaste primeiro na regulagem da guitarra e depois pense na madeira.
Prós e contras do pau ferro
- ✔ Visual escuro e elegante, sem precisar de rosewood
- ✔ Madeira dura, resiste bem ao desgaste dos trastes
- ✔ Toque sedoso, confortável para bends e vibrato
- ✔ Sem restrição de comércio internacional como o rosewood
- ✔ Envelhece bem com hidratação básica
- ✘ Pede hidratação, ao contrário da maple envernizada
- ✘ Nome confuso: nem toda "escala escura" é pau ferro
- ✘ Diferença de som pequena, difícil de justificar preço muito maior
Se eu estivesse comprando uma guitarra hoje, deixaria a madeira da escala para o fim da lista. Antes vêm o braço confortável, os captadores e a regulagem. Entre duas guitarras parecidas, escolheria a de pau ferro pelo toque, sem pagar um centavo a mais por causa do nome. E, se a única opção for maple, também estaria bem servido.
Se o que você quer é ver como uma guitarra com pau ferro se comporta, esse é o exemplo que já passou pela nossa bancada.