| Cort X100 | Ibanez GRG | |
|---|---|---|
| Preço médio | R$ 1.500–2.000 | R$ 2.000–3.200 |
| Corpo | Meranti (tipo mogno) | Basswood |
| Braço | Maple/Jatobá, perfil C médio | Maple, perfil D fino (Wizard) |
| Captadores | 2× HH Powersound (Cort) | 2× HH Infinity (Ibanez) |
| Trastes | 24, jumbo | 24, medium jumbo |
| Ponte | Fixa (hardtail) ✅ | Tremolo standard ⚠️ |
| Peso | ~3,6 kg | ~3,2 kg |
| Melhor pra | Riffs, rock, metal pesado | Solos, shred, metal técnico |
| Nota | ★★★★☆ 4,5 | ★★★★★ 4,7 |
Se está com orçamento apertado ou prioriza som gordo → Cort X100 no Mercado Livre.
Se prioriza braço rápido e marca reconhecida → Ibanez GRG no Mercado Livre.
O braço — onde as duas se separam de verdade
Você já colocou a mão numa Ibanez com perfil Wizard? É como segurar uma lâmina. O braço da GRG é absurdamente fino — os trastes passam sem a mão sentir praticamente nada. Pra quem faz solos rápidos, legato e sweep picking, é uma vantagem enorme. Minha mão se movia sem resistência.
A Cort X100 tem um braço mais gordo, perfil C médio — mais parecido com uma Strat do que com uma guitarra de shred. Nos primeiros 10 minutos estranhei vindo da Ibanez. Mas depois de umas 3 músicas de riffs em power chord, percebi: a pegada mais cheia dava mais controle no palm mute. Minha mão envolvia o braço com firmeza, sem escorregar.
Não tem um braço "melhor". Tem o braço certo pro seu estilo. Shred e solos técnicos → Ibanez. Riffs pesados e pegada mais muscular → Cort.
Como cada uma soa no high gain
Pluguei as duas num Boss Katana 50 com preset de high gain. Mesma configuração, mesmo volume. Mesma guitarra virtual — só troquei os cabos.
A Cort X100 soou mais grossa. O corpo de meranti (madeira prima do mogno) entrega um grave que o basswood da Ibanez não alcança. Power chords na 6ª corda tinham um "thump" — aquele soco no peito. Pra drop D e riffs estilo Metallica ou Gojira, a Cort me convenceu mais.
A Ibanez GRG soou mais articulada. Os graves existem mas não dominam. O mid é onde ela brilha — cada nota do solo se distingue mesmo com muita distorção. Pra shred, tapping e passagens rápidas, a definição da Ibanez permite que as notas não virem papinha. Dream Theater, Petrucci, Animals as Leaders — esse tipo de coisa.
No limpo, a Cort surpreendeu. O captador do braço tem um quente redondo que funciona bem pra clean jazzado. A Ibanez no limpo soa mais fina — funcional, mas sem a mesma profundidade. Se você vai alternar entre limpo e pesado com frequência, a Cort é mais versátil.
Hardware: ponte fixa vs tremolo
A Cort X100 tem ponte fixa (hardtail). Afinação estável, troca de cordas fácil e zero dor de cabeça com molas. Pra quem usa Drop D com frequência, hardtail é muito mais prático — desce a 6ª corda, afina e pronto. Com tremolo, descer uma corda desafina todas as outras.
A Ibanez GRG vem com tremolo standard. Funciona pra vibratos leves, mas não é Floyd Rose — não segura mergulhos profundos sem desafinar. Eu travaria com um calço de madeira na primeira semana se não usasse whammy bar ativamente. Se você também não usa, a ponte fixa da Cort vira vantagem clara.
Tarraxas: as duas são aceitáveis. A Ibanez tem um toque mais suave. A Cort é funcional mas um pouco mais dura. Nenhuma precisa troca imediata.
Acabamento e ergonomia
As duas têm duplo cutaway agressivo com acesso fácil nos trastes altos. A Cort é uns 400g mais pesada (3,6 kg vs 3,2 kg). Numa sessão de 30 minutos em pé a diferença é perceptível. Depois de uma hora, o ombro sente.
O acabamento da Cort é fosco — não gruda, não mostra impressão digital, ótimo pra uso diário. A Ibanez vem em gloss, brilha bonito na loja mas acumula marca de dedo em 5 minutos. Pessoalmente prefiro o fosco. Mas acabamento é gosto pessoal — não interfere em nada no som.
O elefante na sala: preço
A Cort X100 fica em torno de R$ 1.500–2.000. A Ibanez GRG, dependendo do modelo exato, entre R$ 2.000–3.200. Isso é uma diferença de R$ 500 a R$ 1.200 — não dá pra ignorar.
A Ibanez justifica o preço? Em parte. O braço Wizard é único — nenhuma guitarra nessa faixa tem braço tão rápido. Os captadores Infinity têm mais definição pra solos. A marca Ibanez pesa na revenda. Mas a Cort X100 entrega 85-90% da experiência por 60-70% do preço. Se o orçamento está apertado, a escolha óbvia é a Cort.
Prós e contras — resumo por guitarra
Cort X100
- ✔ Corpo meranti — grave mais pesado e encorpado
- ✔ Custo-benefício: 85% da experiência por 60-70% do preço
- ✔ Hardware hardtail — afinação estável, zero dor de cabeça
- ✔ Acabamento fosco — prático pra uso diário
- ✔ Mais versátil pra clean e riffs alternados
- ✘ Braço mais gordo — menos veloz pra solos técnicos
- ✘ Marca menos conhecida que Ibanez no mercado usado
- ✘ Captadores Powersound menos definidos em shred rápido
- ✘ Mais pesada — 400g a mais que a Ibanez
Ibanez GRG
- ✔ Braço Wizard ultra-fino — mais rápido da categoria
- ✔ Marca Ibanez — fácil revenda, suporte garantido
- ✔ Captadores Infinity com boa definição em solos
- ✔ Mais leve — 400g a menos pra ensaios longos em pé
- ✘ R$ 500–1.200 mais cara que a Cort X100
- ✘ Basswood — grave menos encorpado que meranti
- ✘ Tremolo perde afinação com uso mais agressivo
- ✘ Acabamento gloss — acumula marca de dedo rápido
Difícil. Toco os dois estilos. Se fosse uma guitarra só, ficaria com a Cort X100 — pelo custo-benefício, pela ponte fixa e pelo som mais gordo que resolve mais situações. A afinação estável e o meranti já justificam a escolha.
Mas se o orçamento não é problema e você faz muito solo ou quer shred, a Ibanez GRG é outra experiência. Aquele braço Wizard é único — nenhuma outra guitarra nessa faixa reproduz.
Por faixa de orçamento:
— Até R$ 2.000 → Cort X100 sem dúvida
— Acima de R$ 2.000 → Ibanez GRG vale o investimento