O diagrama do acorde: a gradinha com bolinhas
Todo site de cifra mostra o acorde de duas formas: o nome (tipo C, Am, G7) e um desenho pequeno de uma grade. Essa grade é o diagrama, e ele representa o braço do seu instrumento visto de frente, como se você estivesse olhando pra ele em pé.
As linhas verticais são as cordas — da esquerda pra direita, do Mi grave (a mais grossa) até o Mi agudo (a mais fina), ou do Ré ao Si no caso do violino... isso é violão e guitarra mesmo, então são 6 cordas. As linhas horizontais são os trastes. As bolinhas pretas mostram em qual traste e qual corda cada dedo vai. Um X em cima de uma corda significa que ela não deve soar; um O significa que ela soa solta, sem dedo nenhum.
Os 5 diagramas que resolvem 80% das músicas
Antes de seguir pros símbolos, vale fixar como esses diagramas aparecem escritos quando não dá pra desenhar a gradinha — em fóruns, grupos de WhatsApp ou tabs digitadas, o acorde vira uma coluna de números, um por corda, da mais fina (e, no topo) à mais grossa (E, embaixo). O 0 é corda solta e o x é corda que não toca:
e|--3--| B|--3--| G|--0--| D|--0--| A|--2--| E|--3--|
e|--0--| B|--1--| G|--0--| D|--2--| A|--3--| E|--x--|
e|--2--| B|--3--| G|--2--| D|--0--| A|--x--| E|--x--|
e|--0--| B|--0--| G|--0--| D|--2--| A|--2--| E|--0--|
e|--0--| B|--1--| G|--2--| D|--2--| A|--0--| E|--x--|
Repare que o Em e o Am se parecem bastante com o G e o C — não é coincidência, são "pares" que dividem quase o mesmo formato de mão. Por isso essas cinco costumam vir juntas em qualquer música fácil pra iniciante: a mão troca pouco entre elas.
A letra do acorde: por que C, D, E e não Dó, Ré, Mi?
Isso confunde muita gente que aprendeu solfejo em outro contexto. Cifra brasileira usa a notação americana: C = Dó, D = Ré, E = Mi, F = Fá, G = Sol, A = Lá, B = Si. Um # (sustenido) sobe meio tom, um b (bemóis) desce meio tom. Então C# é a mesma nota que Db, só escrita de um jeito diferente dependendo do contexto musical.
Uma vez que você decora essas sete letras, metade da barreira já caiu. O resto são modificadores que vêm grudados nelas.
Os símbolos que aparecem do lado da letra
Aqui estão os que você vai encontrar em praticamente qualquer cifra de MPB, rock ou sertanejo:
m (minúsculo, tipo Am, Em, Dm): indica acorde menor, som mais triste ou introspectivo. Sem o m, o acorde é maior por padrão — som mais alegre ou neutro.
7 (tipo G7, C7): adiciona a sétima nota da escala ao acorde. Dá uma sensação de tensão, como se a música quisesse "resolver" pra outro acorde. Muito comum em blues e bossa nova.
maj7 ou M7 (tipo Cmaj7): diferente do 7 simples — soa mais suave, quase etéreo. Aparece bastante em bossa nova e jazz.
sus2 / sus4 (tipo Dsus4): "suspende" a terça do acorde, trocando por uma segunda ou quarta nota. O acorde fica sem definir se é maior ou menor — soa em suspenso, como o próprio nome diz.
dim (tipo Cdim): acorde diminuto, som tenso e instavel, geralmente usado como passagem entre dois outros acordes.
aug ou + (tipo Caug): acorde aumentado, soa esticado, meio inquieto. Bem mais raro no repertório de iniciante.
9, 11, 13 (tipo Am9): acordes com mais notas empilhadas, comuns em MPB e jazz. No começo, dá pra simplificar tocando só o acorde base (Am no lugar de Am9) sem estragar a música.
A barra com outra letra: G/B, D/F#, C/G
Essa é a que mais gera dúvida em quem está começando. A barra / separa o acorde do baixo — a nota mais grave que vai tocar junto. Em G/B, você toca o acorde de G normalmente, mas faz a nota B soar como grave, geralmente usando o polegar por cima do braço ou ajustando o dedo mínimo.
Isso existe porque cria uma linha de baixo mais suave entre os acordes de uma música — em vez do baixo pular de nota em nota, ele desce ou sobe em degraus pequenos. É um recurso bonito, mas no começo dá pra simplificar: toque só o G puro se não conseguir alcançar o baixo diferente. A música não vai quebrar, só perde um detalhe.
As setas: ritmo pra cima e pra baixo
Algumas cifras, principalmente as mais completas, mostram uma linha de setas embaixo dos acordes: ↓ ↓ ↑ ↓ ↑. A seta pra baixo (↓) é uma batida descendente — a mão passa pelas cordas de cima pra baixo. A seta pra cima (↑) é o oposto, de baixo pra cima.
Cifras mais simples deixam essa parte de fora e só mostram os acordes em cima da letra, contando que você já sabe o ritmo de ouvido ou vai descobrir escutando a música original. Se você está começando, ouça a faixa original antes de tentar tocar — a cifra mostra o quê, mas o ouvido é que ensina o quando.
Cifra e tablatura não são a mesma coisa
Isso confunde muita gente. A cifra mostra acordes — várias notas tocadas junto, formando harmonia, geralmente pra acompanhar canção. A tablatura (tab) mostra uma linha de números em cima de seis linhas horizontais, indicando nota por nota, em qual corda e traste tocar — usada pra melodias, riffs e solos.
Uma tab típica se parece com isso:
e|--0--2--3-----| B|--1--3--------| G|--0-----------| D|--------------| A|--------------| E|--------------|
Cada número é o traste que você pressiona naquela corda, na ordem em que aparece da esquerda pra direita. Nesse exemplo, você toca a primeira corda (e) solta, depois no segundo traste, depois no terceiro — e assim por diante, uma nota de cada vez.
Os símbolos que aparecem dentro da tablatura
Depois dos números básicos, toda tab de riff ou solo usa umas letras e sinais extras pra indicar como tocar a nota, não só onde. São poucos e valem a pena decorar, porque aparecem em praticamente qualquer tab de guitarra:
e|--5h7--7p5--5/7--7\5--5~--x--| B|-----------------------------| G|-----------------------------| D|-----------------------------| A|-----------------------------| E|-----------------------------|
h (hammer-on, tipo 5h7): toque a primeira nota puxando a corda e "martele" o dedo na segunda casa sem tocar de novo com a mão direita. Dá um efeito mais fluido, ligado.
p (pull-off, tipo 7p5): o oposto do hammer-on. Com os dois dedos já pressionando, puxe o dedo da casa mais alta pra "arrancar" o som da nota mais baixa, sem tocar de novo.
/ (slide pra cima, tipo 5/7): toque a primeira nota e deslize o dedo pelo braço até a segunda casa, sem soltar a pressão. O som desliza junto.
\ (slide pra baixo, tipo 7\5): mesma ideia do slide, só que descendo pelo braço em vez de subir.
~ (vibrato, tipo 5~): balance o dedo levemente pra frente e pra trás na casa, sem tirar do lugar, criando uma oscilação no som. Muito usado em solos pra dar expressão à nota final.
x (nota abafada ou percussiva): encoste o dedo na corda sem pressionar até o traste, só o suficiente pra abafar o som. Toca um "tec" seco, sem altura definida — muito comum em riffs de rock e funk.
Juntando tudo: um riff de exemplo linha por linha
Pra fechar a parte de tablatura, veja como um trecho curto de riff genérico junta números, hammer-on e palm mute numa linha só:
e|-------------------------| B|-------------------------| G|-------------------------| D|-------------------------| A|--2--2--x--2--4--2h4--2--| E|-------------------------| PM-------------------------|
A marcação PM com uma linha tracejada embaixo indica palm mute: apoie a lateral da mão que toca (a que fica perto da ponte) levemente sobre as cordas enquanto toca aquele trecho, abafando o som pra ficar mais grave e percussivo. É a técnica por trás daquele "chugga-chugga" típico de riffs de metal e rock pesado.
Se quiser se aprofundar em riffs e solos depois de dominar os acordes, temos um guia completo de como ler tablatura, com exemplos de rock clássico, escala e até música clássica. Também vale entender como o captador da guitarra influencia o timbre que você vai tocar.
O que significa "capotraste na 2ª casa" no topo da cifra?
Muita cifra vem com uma anotação no topo do tipo "capotraste na 2ª casa" ou simplesmente "capo 2". Isso significa que quem tocou a música original usou um capotraste pra prender todas as cordas numa casa específica, mudando o tom geral sem precisar trocar os formatos dos acordes.
Se você não tem capotraste ou não quer usar, ainda dá pra tocar sem ele — só que a música vai soar num tom diferente do original, o que não é problema nenhum se você está tocando sozinho. Entenda melhor para que serve o capotraste e como usar sem desafinar.
Como praticar a leitura na prática
Escolha uma música que você já conhece de cor. Isso importa mais do que parece — se você já sabe como ela soa, seu ouvido corrige automaticamente quando algo estiver errado, mesmo antes de você perceber conscientemente.
Toque só a troca de acordes primeiro, sem se preocupar com ritmo. Depois de conseguir mudar de um acorde pro outro sem travar, adicione o ritmo. Tentar fazer as duas coisas ao mesmo tempo desde o início é a razão pela qual muita gente desiste na primeira semana.
No começo, uma música com trocas lentas (tipo balada) é muito mais fácil que uma com trocas rápidas. Deixe as músicas mais rápidas pra quando a mão já tiver memória muscular dos formatos.
Perguntas Frequentes
Quando pego uma cifra nova, leio ela inteira antes de tocar uma nota — só pra ver quais acordes se repetem. Na maioria das músicas populares são uns 4 acordes que ficam girando. Uma vez que reconheço o padrão, a música inteira fica mais fácil do que parecia na primeira olhada.