Por onde começar (e por que não pelo G)
Muita gente começa pelo G porque aparece em tudo. É um erro previsível: o G exige abertura entre os dedos que a mão de quem nunca tocou simplesmente não tem ainda.
Comece por Em (mi menor). São dois dedos, casas vizinhas, e todas as seis cordas soam. Depois Am (lá menor), que são três dedos numa forma parecida. Alternar Em e Am já soa como música, e isso importa mais do que parece nas primeiras semanas — é o que faz você voltar no dia seguinte.
Os sete acordes, na ordem que eu ensinaria
1. Em (mi menor) — dois dedos, 2ª casa das cordas 5 e 4. O acorde mais fácil do instrumento.
2. Am (lá menor) — três dedos. Cuidado para não encostar na 6ª corda; ela não entra nesse acorde.
3. C (dó maior) — o primeiro que exige esticar. O dedo 3 vai longe, na 3ª casa da 5ª corda, e a mão reclama no começo.
4. G (sol maior) — abertura grande. Existem duas digitações comuns; teste as duas e fique com a que sua mão aceitar melhor.
5. D (ré maior) — forma de triângulo, só quatro cordas soam. Compacto, mas exige precisão: os três dedos ficam muito próximos.
6. A (lá maior) — três dedos enfileirados na mesma casa. O aperto é apertado mesmo; dedo grosso sofre aqui e não tem jeito fácil.
7. E (mi maior) — o Em com um dedo a mais. Se você já faz Em, esse sai quase de graça.
O que trava todo mundo nas primeiras semanas
A troca, não o acorde. Montar um acorde parado é fácil. Trocar de um para outro no tempo é o desafio real, e é onde quase todo mundo se frustra.
O exercício que funciona: escolha dois acordes e troque entre eles por dois minutos no relógio, sem se importar com ritmo. Só a troca. Depois de alguns dias, os dedos começam a ir sozinhos.
Dor na ponta dos dedos. Normal nas primeiras duas ou três semanas. O calo se forma e passa. O que não é normal é dor no pulso ou no antebraço — isso é postura errada ou força demais, e vale corrigir antes que vire lesão.
Corda abafada. Quase sempre é o dedo deitado encostando na corda vizinha. A solução é curvar mais o dedo e usar a ponta, não a polpa.
Quando a guitarra é parte do problema
Aqui vai algo que quase nenhum tutorial diz: se a ação estiver alta, você vai fazer o dobro de força para pressionar cada acorde, e vai achar que o problema é sua mão.
Já vi gente concluir que "não levava jeito" quando o instrumento estava com a ação num patamar que faria qualquer guitarrista experiente reclamar. Se você está sofrendo mais do que os amigos que começaram junto, leve a guitarra num técnico antes de culpar a si mesmo. Uma regulagem de R$ 80 às vezes resolve o que meses de prática não resolveriam.
Cordas mais finas também ajudam no começo. Um jogo 009 exige menos força que um 010 — vale começar por ele e engrossar depois, quando a mão estiver firme.
Quanto tempo até sair música?
Com uns 20 minutos por dia, a maioria das pessoas toca uma música simples de dois ou três acordes entre a terceira e a quinta semana. Não bonito, mas reconhecível — e reconhecível já é o suficiente para manter a motivação.
Consistência vence duração com folga. Vinte minutos todo dia rende muito mais que duas horas no sábado. Falamos mais sobre isso no guia de quanto tempo praticar por dia.
Perguntas Frequentes
Se pudesse recomeçar, teria passado mais tempo em Em e Am antes de correr para o G. Passei semanas travado no G achando que era falta de talento, quando era só falta de abertura de mão — que vem com tempo, não com força. E teria regulado a guitarra no primeiro mês em vez de sofrer com ação alta achando que guitarra era assim mesmo.