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close de guitarrista tocando Stratocaster vermelha ao lado da bateria, em ensaio
GUITARRAS Setembro 2026 · 13 min de leitura

Os Maiores Guitarristas da História: 12 Nomes que Mudaram o Instrumento

Todo guitarrista já discutiu essa lista num bar às três da manhã. Não existe resposta que agrade todo mundo, mas existe um consenso possível: alguns nomes reaparecem em praticamente toda lista séria, de revista especializada a enquete entre músicos. Reunimos esses doze, com o que cada um mudou de verdade no jeito de tocar.

Antes de discordar: esta lista não é um ranking de "quem toca mais rápido" nem de "quem eu mais gosto". É uma seleção de guitarristas cuja técnica, escolha de equipamento ou abordagem mudou de forma mensurável o jeito como outros guitarristas passaram a tocar depois deles. A ordem segue mais ou menos a linha do tempo, não um placar de melhor pra pior.

1. Jimi Hendrix (1942–1970)

Em pouco menos de quatro anos de carreira (1966–1970), Hendrix reescreveu o que uma guitarra elétrica podia fazer: feedback controlado como recurso musical, uso do pedal wah como voz expressiva, acordes com o polegar cobrindo a sexta corda enquanto os outros dedos tocam melodia por cima. Praticamente todo guitarrista de rock que veio depois — de Prince a John Mayer — cita algum truque técnico que aprendeu ouvindo Hendrix.

O detalhe que poucos reparam: ele tocava uma Stratocaster destra invertida, porque nunca encontrou uma canhota boa o bastante. Isso mudava a posição dos captadores em relação às cordas — um acidente de logística que virou parte do som.

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2. Jimmy Page

Antes do Led Zeppelin, Page já era um dos músicos de estúdio mais requisitados de Londres, tocando em sessões pra dezenas de artistas. Essa vivência em estúdio aparece na forma como ele produzia os próprios discos: camadas de guitarra sobrepostas, uso criativo de arco de violino na corda, e riffs que funcionam tanto como acompanhamento quanto como melodia principal — "Whole Lotta Love" e "Stairway to Heaven" são aula de como um riff carrega uma música inteira.

Sua Gibson Les Paul de 1959, apelidada "Number One", é hoje um dos instrumentos mais valorizados da história do rock — não pelo preço de fábrica, mas pelo que Page fez soar através dela.

3. Eric Clapton

Clapton é o elo entre o blues americano e o rock britânico dos anos 60. Passou por Yardbirds, John Mayall's Bluesbreakers e Cream antes de assumir a fama de "Slowhand" — um apelido irônico, já que sua marca registrada é justamente o controle e a economia de notas, não a velocidade. Cada bend soa calculado, cada silêncio entre frases parece proposital.

Sua Stratocaster "Blackie", montada com peças de três guitarras diferentes que ele comprou numa loja de Nashville em 1970, virou um dos instrumentos mais replicados pela própria Fender em edições signature.

4. B.B. King

guitarrista tocando guitarra semi-hollow no palco
B.B. King quase não usava acordes — construiu uma carreira inteira em cima de bends e vibrato de uma nota só.

Enquanto a maioria dos guitarristas de blues alterna entre acordes e solo, King praticamente abandonou o acompanhamento com a mão direita: cantava e deixava sua guitarra "Lucille" — uma semi-hollow Gibson ES-355 — responder em forma de frase melódica, quase como uma segunda voz. O vibrato rápido e estreito que ele fazia com o pulso, sem usar a alavanca, é hoje ensinado como técnica básica em qualquer curso de blues.

King batizou de "Lucille" toda guitarra que tocou depois de quase morrer num incêndio causado por uma briga por causa de uma mulher chamada Lucille, num bar do Arkansas em 1949. Guitarrista supersticioso é assim.

5. Chuck Berry

Se existe um único inventor do riff de rock and roll, é Berry. "Johnny B. Goode" e "Roll Over Beethoven" estabeleceram o vocabulário que praticamente toda banda de rock usaria nas décadas seguintes: riffs duplos em cordas adjacentes, bend rápido de introdução, groove que empresta do blues mas acelera pro rock. O famoso "duck walk" no palco era só o complemento visual de uma revolução que já estava acontecendo nas mãos.

Keith Richards, um dos maiores fãs confessos de Berry, resumiu bem: "Se você tentar dar outro nome ao rock and roll, poderia chamar de Chuck Berry".

6. Angus Young

Uniforme de colégio, meias três-quartos e uma Gibson SG que parece maior que o próprio corpo dele em cima do palco — Angus Young construiu a base rítmica do AC/DC em riffs curtos, diretos e sem excesso de efeito. Não é o guitarrista mais técnico desta lista, e é exatamente esse o ponto: ele prova que riff simples, bem tocado e no tempo certo, vende mais discos que solo complicado.

A SG virou parte da identidade visual da banda tanto quanto o uniforme — o corpo fino e leve permite a Young correr, pular e se deitar no chão do palco sem trocar de instrumento nem perder o ritmo.

7. Slash

Cartola, cachecol na cintura e uma Les Paul replicada dezenas de vezes por luthiers — Slash trouxe de volta o solo melódico e cantável numa época (fim dos anos 80) em que o hard rock estava saturado de shred técnico sem foco em melodia. "Sweet Child O' Mine" é praticamente um curso de como construir um solo que qualquer pessoa consegue cantarolar de cor depois de ouvir uma vez.

Ele também ajudou a popularizar o uso de Les Paul reissue dos anos 50-60 entre uma geração que só conhecia guitarras superstrat da época — um movimento que trouxe o formato de volta ao centro do palco no rock mainstream.

8. Eddie Van Halen

"Eruption", a faixa solo de 1978 que abre o primeiro disco do Van Halen, mudou o que se esperava tecnicamente de um guitarrista de rock: tapping com as duas mãos, dive bombs na alavanca, harmônicos artificiais em sequência. Uma geração inteira de guitarristas de hard rock e metal passou a década seguinte tentando copiar essa faixa nota por nota.

A guitarra "Frankenstrat" que ele montou sozinho, misturando peças baratas e captador humbucker numa Stratocaster genérica, é hoje reconhecida como precursora direta da categoria superstrat que Ibanez e Jackson comercializariam em massa nos anos seguintes.

9. Kirk Hammett

guitarrista tocando guitarra de formato agressivo no palco, estilo metal
Solos melódicos com wah pesado sobre riffs pesados: a marca registrada de Hammett no Metallica desde os anos 80.

Guitarrista solista do Metallica desde 1983, Hammett trouxe pro thrash metal um elemento que boa parte da cena não tinha: melodia reconhecível dentro do solo, quase sempre passada por um pedal wah usado quase como assinatura sonora. Os solos de "Master of Puppets" e "Enter Sandman" continuam entre os mais estudados por quem aprende a tocar metal.

Hammett desenvolveu linhas de guitarra signature com a ESP ao longo da carreira, incluindo modelos baseados no formato Explorer e Flying V — silhuetas agressivas associadas ao próprio gênero que ele ajudou a definir.

10. James Hetfield

Se Hammett é o solo do Metallica, Hetfield é a fundação: o riff. A técnica de palm mute (abafar a corda com a lateral da mão direita perto da ponte) na mão de Hetfield virou praticamente sinônimo de thrash metal — um som percussivo, preciso, que exige resistência física real do pulso em músicas que passam dos 200 bpm. "Master of Puppets" e "Battery" são referência obrigatória pra quem estuda essa técnica hoje.

Hetfield raramente lidera as listas de "melhor solista" — e não é essa a comparação que faz sentido aqui. A influência dele está em quantos guitarristas de metal desde os anos 80 tentam replicar a precisão rítmica da mão direita antes de qualquer outra coisa. É um tipo de virtuosismo que não aparece em solo, aparece no riff que sustenta a música inteira.

11. Keith Richards

Richards resolveu um problema técnico de um jeito que virou estilo: removeu a sexta corda (a mais grave) de várias de suas Telecasters e afinou as cinco restantes em open G (sol aberto), o que faz um acorde soar só de encostar o dedo numa casa, sem precisar formar a pestana inteira. Riffs como "Start Me Up" e "Brown Sugar" nasceram direto dessa afinação alternativa.

É outro caso, como o de Angus Young, em que menos técnica convencional gerou mais som reconhecível — Richards prova que reinventar a ferramenta às vezes vale mais que dominar a técnica padrão.

12. David Gilmour

Gilmour prova que técnica e emoção não são a mesma coisa: seus bends longos e lentos, muitas vezes segurando uma única nota por vários segundos até ela se encaixar exatamente na afinação certa, carregam mais peso emocional do que qualquer sequência rápida de notas conseguiria. O solo de "Comfortably Numb" é ensinado até hoje como estudo de dinâmica e espaço — o que não tocar importa tanto quanto o que se toca.

Sua Stratocaster "Black Strat", montada com peças trocadas ao longo de décadas, é outro caso de instrumento que virou lenda mais pela história de uso do que pela ficha técnica de fábrica.

O que dá pra aprender com essa lista

Reparou no padrão? Metade dos nomes aqui não venceu pela velocidade. Angus Young, Keith Richards, B.B. King e James Hetfield construíram carreiras inteiras em cima de ideias simples executadas com precisão absoluta — não em cima de escalas complicadas. Se você está começando agora e acha que precisa dominar teoria musical avançada antes de soar bem, essa lista é a prova de que isso não é verdade. Vale mais entender qual formato de guitarra combina com o som que você busca do que empilhar técnica que talvez nunca vá usar.

Se o que te interessa é a guitarra em si — o formato, a história de cada modelo — detalhamos isso com mais profundidade em as guitarras que marcaram gerações. E por falar em Gilmour: a guitarra dele virou, literalmente, a mais cara já vendida em leilão — contamos essa história em guitarras mais caras do mundo.

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Se eu tivesse que escolher só um pra estudar
Recomendo sempre começar por Chuck Berry, não pelo mais impressionante tecnicamente. É o riff mais simples da lista e ainda assim contém praticamente todo o DNA do rock que viria depois. Domine isso antes de tentar copiar Hendrix ou Van Halen — a base rítmica vem antes da velocidade.

Perguntas Frequentes

Quem é considerado o maior guitarrista da história?
Jimi Hendrix aparece no topo da maioria das listas — de revistas especializadas a enquetes com outros guitarristas — por ter reinventado em poucos anos (1966-1970) o vocabulário técnico e sonoro da guitarra elétrica, do feedback controlado ao uso do pedal wah como instrumento expressivo.
James Hetfield é considerado um dos maiores guitarristas do mundo?
Sim, principalmente pela técnica de riff rítmico com palm mute que virou padrão do thrash metal. Hetfield raramente aparece em listas de "melhor solista", mas é constantemente citado entre os guitarristas mais influentes por causa do peso e da precisão da mão direita.
Qual guitarrista tem a técnica mais difícil?
Eddie Van Halen costuma ser citado como o mais tecnicamente revolucionário, por popularizar o tapping com as duas mãos no final dos anos 70 (a faixa "Eruption" é o exemplo mais famoso). Guitarristas de shred posteriores foram mais longe em velocidade, mas Van Halen abriu esse caminho.
Esses guitarristas tocavam guitarras de que marca?
Predominam Fender Stratocaster (Hendrix, Clapton, Gilmour) e Gibson Les Paul (Page, Slash), com exceções notáveis: Angus Young usa Gibson SG, Keith Richards prefere Telecaster e Kirk Hammett e James Hetfield tocam guitarras ESP desenvolvidas com suas próprias especificações.

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