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guitarra elétrica apoiada num suporte em estúdio
GUITARRAS 24 ago 2026

Guitarra Canhoto: Onde Comprar e o Que Muda em 2026

Se você é canhoto e já entrou em loja atrás de guitarra, provavelmente já ouviu "canhoto a gente não tem, só por encomenda". É real — a oferta no Brasil é curta. Mas dá pra resolver, e vale entender o que muda de verdade no instrumento antes de decidir o caminho.

Cerca de 1 em cada 10 pessoas é canhota — mas quase toda guitarra nas lojas brasileiras é feita para destros. Não é frescura: braço, nut, ponte e a posição dos controles são espelhados numa canhota de verdade, e isso muda a forma como a mão que belisca as cordas se relaciona com o instrumento inteiro. Este guia mostra o que muda de fato, onde procurar no Brasil e quando vale mais a pena adaptar uma guitarra destra em vez de esperar uma canhota chegar.

O que muda entre uma guitarra destra e uma canhota

Parte da guitarra O que muda numa canhota
Headstock Formato espelhado — tarraxas ficam do lado oposto
Nut (rasgo das cordas) Cortado ao contrário, senão a ação fica desigual
Pickguard e controles Espelhados — volume e tone ficam na posição da mão que belisca
Ponte e captadores Inclinados/posicionados ao contrário nas Strats (captador ponte capta diferente)
Chave seletora Muda de lado — fica mais acessível para a mão direita
Disponibilidade no Brasil Baixa — a maioria das lojas não tem estoque parado
Preço 15%–30% mais caro que o equivalente destro

Onde comprar guitarra canhoto no Brasil

headstock de guitarra elétrica com tarraxas em fileira, mostrando a orientação das cordas
É no headstock que a diferença aparece primeiro: numa canhota, as tarraxas ficam espelhadas em relação a uma destra comum.

A resposta curta é: a oferta nacional é pequena e inconstante. De tempos em tempos, marcas como Tagima e Strinberg lançam um lote canhoto de algum modelo popular — e ele costuma esgotar em dias, porque a demanda represada é grande e a produção é pequena. Vale acompanhar o estoque das lojas grandes e ativar alerta de disponibilidade quando possível.

Já toquei numa loja em São Paulo que tinha exatamente uma guitarra canhoto pendurada, no meio de mais de cem destras. O vendedor comentou que ela ficou só duas semanas — assim que chegou, já tinha comprador esperando havia meses.

💡
Dica prática: Squier, Epiphone e Yamaha mantêm linhas canhoto com bem mais regularidade em lojas internacionais do que qualquer marca nacional. Se você já sabe o modelo que quer, importar direto (por conta própria ou via alguém que já mora fora) tende a ser mais previsível do que esperar um lote nacional aparecer.

Duas outras rotas que funcionam bem no Brasil:

Encomenda com luthier: alguns luthiers fazem guitarra canhoto sob encomenda, seja modificando uma destra (troca de nut, inversão de captadores quando possível) seja montando do zero com peças avulsas. Custa mais e demora mais, mas o resultado é sob medida.

Usada em grupos e marketplaces: canhotos costumam revender pouco — quem finalmente acha uma guitarra boa tende a segurar ela. Ainda assim, vale monitorar grupos de guitarristas no Facebook e nos marketplaces, porque de vez em quando aparece uma usada em bom estado por preço justo.

A alternativa: adaptar uma guitarra destra

guitarra strat com três captadores single coil e pickguard branco, controles de volume e tone visíveis
Numa Strat com pickguard simétrico, inverter a ordem das cordas é mais simples — mas os controles continuam do lado "errado" para quem belisca com a mão esquerda.

Jimi Hendrix tocava justamente assim: pegava uma Stratocaster destra, invertia a ordem das cordas (a mais grossa embaixo em vez de em cima) e tocava normalmente com a mão esquerda dedilhando. Funciona, mas com ressalvas importantes.

O nut — o sulco onde cada corda se apoia antes das tarraxas — é cortado numa largura específica para cada espessura de corda. Invertendo a ordem sem trocar o nut, a corda mais grossa fica apertada demais num sulco fino, e a mais fina folgada demais num sulco largo. O resultado é afinação instável e ruído de trastejo. A solução certa é trocar o nut por um cortado na ordem inversa — um ajuste de luthier que custa bem menos que uma guitarra nova.

A ponte também importa. Numa Strat com ponte de trêmolo, a inclinação natural favorece o lado que originalmente seria o grave. Invertida, a ação fica levemente desigual entre as cordas — perceptível, mas não incapacitante para quem está começando.

⚠️
O que não dá pra resolver fácil: os controles de volume, tone e a chave seletora continuam na posição original — ou seja, embaixo da mão que agora belisca as cordas. Incomoda no começo, mas a maioria se acostuma em algumas semanas de prática.

Guitarras com corpo simétrico — como a maioria das Stratocasters — se adaptam melhor. Formatos assimétricos como Les Paul ou Flying V ficam com o equilíbrio de peso estranho quando invertidos, porque o corpo foi desenhado pensando na mão que dedilha do lado destro. Para entender mais sobre como o formato do corpo influencia o toque, vale ver nosso comparativo de Les Paul vs Stratocaster.

🎸 ENQUANTO ISSO...
Se a canhota certa ainda não apareceu, veja o ranking de guitarras destras mais recomendadas — boas candidatas para adaptação com nut invertido.

Vale a pena pagar mais caro por uma canhota de fábrica?

Se o orçamento permitir, sim — sempre que possível, uma canhota de fábrica é a opção mais confortável de longe. Tudo já sai proporcional: nut, ponte, ângulo do captador na ponte, controles. Você não perde tempo nem dinheiro com ajuste depois.

Se o orçamento for apertado, adaptar uma destra com troca de nut costuma resolver 80% do problema por uma fração do custo. É a rota que mais recomendo para quem está começando e ainda não sabe se vai realmente seguir com o instrumento — dá pra migrar para uma canhota de fábrica mais pra frente, quando o compromisso com a guitarra já estiver mais claro.

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Minha opinião direta: se você está começando agora e é canhoto, não trave a decisão esperando a guitarra "perfeita" aparecer. Pegue uma Strat destra em conta, troque o nut com um luthier de confiança (custa pouco) e comece a tocar. Se depois de alguns meses o instrumento ainda incomodar, aí vale investir numa canhota de fábrica com mais segurança — porque você já vai saber exatamente o que procurar.

Perguntas frequentes sobre guitarra canhoto

Existe guitarra canhoto nacional no Brasil?
Existe, mas é raro. Tagima, Strinberg e outras marcas nacionais lançam versões canhoto esporadicamente, geralmente em lotes pequenos que esgotam rápido. A maioria dos modelos populares (como TG-530 e STS100) só sai em versão destra.
É mais caro comprar guitarra canhoto?
Sim, na maioria dos casos. Como a produção é menor, o preço costuma ficar de 15% a 30% acima do equivalente destro — e isso sem contar frete e impostos se a compra for importada.
Dá para tocar guitarra destra sendo canhoto?
Dá, e muita gente faz isso sem problema — o corpo não fica invertido, só a mão que dedilha muda. O contra é que os controles de volume e tone ficam posicionados para a mão que belisca as cordas, o que atrapalha um pouco no início.
Posso inverter as cordas de uma guitarra destra para tocar como canhoto (estilo Jimi Hendrix)?
Pode, mas com ressalvas. Funciona melhor em guitarras com ponte e nut simétricos (tipo Strat). O ideal é trocar o nut por um cortado ao contrário e inverter a ordem das cordas na tarraxa. Sem esses ajustes, a ação fica desigual e a afinação sofre.
Vale a pena importar uma guitarra canhoto?
Vale se você já sabe exatamente o modelo que quer e aceita o prazo e o custo extra de frete e impostos. Squier, Epiphone e Yamaha têm linhas canhoto disponíveis fora do Brasil com bastante regularidade — a importação tende a compensar mais do que esperar uma leva nacional esgotar em minutos.

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