| Especificação | Strinberg TC120S |
|---|---|
| Preço médio | R$ 850–1.000 |
| Formato | Telecaster |
| Corpo | Basswood (tília) |
| Escala | Maple natural, sem verniz (22 trastes) |
| Captadores | 2x Single Coil |
| Peso | ~3,5 kg |
| Para quem | Iniciante · Intermediário |
| Onde comprar | Ver no Mercado Livre → |
Por que eu comprei essa guitarra
Na época eu tinha uma guitarra genérica de R$350 que estava me deixando louco. Desafinava, trastejava, os trastes arranhavam a lateral do dedo. Precisava de algo melhor mas não queria gastar mais de R$1.000 — porque não sabia se ia levar guitarra a sério.
Pesquisei bastante. Li reviews, assisti vídeos, perguntei em fórum. A TC120S aparecia em todo lugar como "a Telecaster barata que funciona de verdade". Comprei no Mercado Livre sem nunca ter tocado. Risco calculado.
Primeira impressão: tirando da caixa
A caixa chegou amassada no canto. Abri nervoso achando que ia ter algo quebrado. A guitarra estava perfeita — embalada em plástico bolha com papelão grosso ao redor do headstock.
Primeira coisa: o peso. Uns 3,2 kg. Dava pra segurar com uma mão pelo braço sem esforço. A guitarra anterior pesava mais, mesmo sendo corpo de compensado barato. O acabamento era simples, sem brilho exagerado. Butterscotch blonde clássico. Parecia um instrumento, não um brinquedo.
O braço: onde a surpresa real aconteceu
Passei a mão pelo braço e senti a diferença na hora. Trastes uniformes, polidos, sem rebarba na lateral. Deslizei o polegar pela borda da escala e não senti nenhum traste saltando — na guitarra anterior, uns três trastes arranhavam o dedo.
O perfil é um C gordo. Confortável. Minha mão envolveu sem precisar apertar. A ação veio de fábrica em 2,3 mm na 6ª corda — desci pra 2,0 mm ajustando os saddles e ficou perfeita. Esse tipo de ajuste em guitarra de R$350 era impossível porque o bridge plate era de latão fino que torcia.
O som: honesto, sem firula
Pluguei no meu amp e toquei o acorde E aberto. Som brilhante, definido, com aquele "twang" clássico de Telecaster. Direto. Cada corda se ouvia separadamente — pra quem vinha de guitarra genérica, isso foi revelador.
O captador da ponte é nasal, cortante, quase agressivo. Funciona demais pra country e rock clássico. No começo achei estridente — precisei baixar o tone pra 6-7. Depois me acostumei. É caráter, não defeito. O captador do braço é mais quente, mais redondo. Blues com ele soa convincente. Não é um humbucker, então não espera som gordo de Les Paul — mas pra single coil dessa faixa de preço, surpreende o quanto tem personalidade.
O que não é perfeito (porque nada é)
O knob de tone é meio inútil. De 10 a 7 quase não muda nada. De 7 pra baixo fica abafado demais. O potenciômetro parece linear em vez de logarítmico. Dá pra trocar por uns R$30, mas é um detalhe que guitarra de R$2.000 não teria.
A chave seletora é dura. Nos primeiros dias, precisava de mais força do que eu gostaria pra trocar entre posições. Depois de umas semanas amaciou — mas no começo incomodou.
O headstock tem uma marquinha. Pequenininha, quase invisível. Mas tá lá. Controle de qualidade de R$950 não é o mesmo de R$2.000. É o preço que se paga literalmente.
Veio sem bag. Precisei comprar separado (uns R$70). Se você precisa de bag, já falamos o que achamos de kits.
Prós e Contras da TC120S
- ✔ Braço com acabamento surpreendentemente bom para o preço
- ✔ Setup de fábrica razoável — chegou quase tocável
- ✔ Excelente custo-benefício, entrega muito acima do esperado
- ✔ Escala de maple sem verniz — bend desliza, raro nessa faixa
- ✔ Corpo de basswood leve e bem equilibrado
- ✘ Hardware básico — tarraxas não são o ponto forte
- ✘ Captadores funcionais mas não excepcionais
- ✘ Potenciômetro de tone com resposta pobre
- ✘ Não vem com bag ou acessórios
Depois de 8 meses de uso diário
A guitarra virou meu instrumento principal. Uso quase todo dia, uns 20-30 minutos. O maple sem verniz escureceu onde meus dedos mais tocam (trastes 1-5) — é o que acontece com escala natural, ela vai marcando por onde você toca. O acabamento do corpo tem umas marcas de palheta perto do pickguard. A tarraxa da 1ª corda soltou o parafuso uma vez — apertei com chave de fenda em 10 segundos.
A afinação continua estável. Os captadores soam igual ao primeiro dia. Os trastes não mostram desgaste visível. Pra uma guitarra de R$950 tocada diariamente, não tenho reclamação séria.
TC120S vs guitarras mais caras: vale a diferença de preço?
Já toquei a Squier Classic Vibe Telecaster (R$2.200) lado a lado com a TC120S. A diferença existe, mas é menor do que o preço sugere. A Squier tem captadores com mais definição nos agudos e o acabamento é mais refinado. Mas se alguém me desse as duas pra tocar de olhos fechados, não sei se eu acertaria qual é qual em 100% das vezes.
Contra a Fender Player Telecaster (R$4.500+), aí sim a diferença é clara — outro nível de dinâmica e construção. Mas é quase 5 vezes o preço. A TC120S entrega 70-75% do som por 20% do valor. Para quem está aprendendo ou tocando em casa, é um negócio absurdo.
A TC120S sem hesitar, se o orçamento fosse até R$1.000. O braço bem acabado faz toda a diferença no aprendizado — você não luta contra o instrumento. Se eu pudesse esticar o orçamento pra R$1.400, olharia a TG-530, mas pra maioria das pessoas aprendendo em casa, a diferença não justifica os R$400 a mais. Veja o preço atual antes de decidir, porque costuma oscilar bastante.