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guitarra elétrica preta, modelo Les Paul, apoiada em um piano de cauda sob luz baixa
REVIEW 2026 · 8 min de leitura

A Guitarra Barata que Mais Me Surpreendeu (Menos de R$1.000)

Já testei guitarras de R$600 a R$3.000. A que mais me surpreendeu custou menos de R$1.000 e me fez questionar por que alguém paga R$3.000 num instrumento pra estudar em casa.

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A guitarra: Strinberg TC120S. Preço médio em 2026: R$950. Formato Telecaster. Corpo de basswood, escala de maple natural, 2 captadores single coil. Nada de especial no papel. Tudo de especial na mão.
Especificação Strinberg TC120S
Preço médioR$ 850–1.000
FormatoTelecaster
CorpoBasswood (tília)
EscalaMaple natural, sem verniz (22 trastes)
Captadores2x Single Coil
Peso~3,5 kg
Para quemIniciante · Intermediário
Onde comprar Ver no Mercado Livre →

Por que eu comprei essa guitarra

Na época eu tinha uma guitarra genérica de R$350 que estava me deixando louco. Desafinava, trastejava, os trastes arranhavam a lateral do dedo. Precisava de algo melhor mas não queria gastar mais de R$1.000 — porque não sabia se ia levar guitarra a sério.

Pesquisei bastante. Li reviews, assisti vídeos, perguntei em fórum. A TC120S aparecia em todo lugar como "a Telecaster barata que funciona de verdade". Comprei no Mercado Livre sem nunca ter tocado. Risco calculado.

Primeira impressão: tirando da caixa

Strinberg TC120S preta, corpo telecaster com escudo branco e braço em maple
A TC120S: telecaster preta com escudo branco e braço em maple — o formato clássico, pelo preço de guitarra de entrada.

A caixa chegou amassada no canto. Abri nervoso achando que ia ter algo quebrado. A guitarra estava perfeita — embalada em plástico bolha com papelão grosso ao redor do headstock.

Primeira coisa: o peso. Uns 3,2 kg. Dava pra segurar com uma mão pelo braço sem esforço. A guitarra anterior pesava mais, mesmo sendo corpo de compensado barato. O acabamento era simples, sem brilho exagerado. Butterscotch blonde clássico. Parecia um instrumento, não um brinquedo.

O braço: onde a surpresa real aconteceu

Passei a mão pelo braço e senti a diferença na hora. Trastes uniformes, polidos, sem rebarba na lateral. Deslizei o polegar pela borda da escala e não senti nenhum traste saltando — na guitarra anterior, uns três trastes arranhavam o dedo.

O perfil é um C gordo. Confortável. Minha mão envolveu sem precisar apertar. A ação veio de fábrica em 2,3 mm na 6ª corda — desci pra 2,0 mm ajustando os saddles e ficou perfeita. Esse tipo de ajuste em guitarra de R$350 era impossível porque o bridge plate era de latão fino que torcia.

💡
Detalhe que fez diferença: a escala é de maple natural, sem verniz por cima — e isso não é a mesma coisa que o maple pintado da maioria. Sem a camada de verniz, o toque é seco e acetinado em vez de escorregadio-grudento. Na guitarra anterior, de escala pintada, o dedo travava no meio do bend. Nessa, o bend sai limpo até o fim.

O som: honesto, sem firula

guitarra elétrica ligada ao amplificador, com o cabo plugado
Guitarra de entrada só mostra o que tem depois de plugada — e é aí que o twang da Telecaster aparece.

Pluguei no meu amp e toquei o acorde E aberto. Som brilhante, definido, com aquele "twang" clássico de Telecaster. Direto. Cada corda se ouvia separadamente — pra quem vinha de guitarra genérica, isso foi revelador.

O captador da ponte é nasal, cortante, quase agressivo. Funciona demais pra country e rock clássico. No começo achei estridente — precisei baixar o tone pra 6-7. Depois me acostumei. É caráter, não defeito. O captador do braço é mais quente, mais redondo. Blues com ele soa convincente. Não é um humbucker, então não espera som gordo de Les Paul — mas pra single coil dessa faixa de preço, surpreende o quanto tem personalidade.

O que não é perfeito (porque nada é)

O knob de tone é meio inútil. De 10 a 7 quase não muda nada. De 7 pra baixo fica abafado demais. O potenciômetro parece linear em vez de logarítmico. Dá pra trocar por uns R$30, mas é um detalhe que guitarra de R$2.000 não teria.

A chave seletora é dura. Nos primeiros dias, precisava de mais força do que eu gostaria pra trocar entre posições. Depois de umas semanas amaciou — mas no começo incomodou.

O headstock tem uma marquinha. Pequenininha, quase invisível. Mas tá lá. Controle de qualidade de R$950 não é o mesmo de R$2.000. É o preço que se paga literalmente.

Veio sem bag. Precisei comprar separado (uns R$70). Se você precisa de bag, já falamos o que achamos de kits.

Prós e Contras da TC120S

✔ Prós
  • Braço com acabamento surpreendentemente bom para o preço
  • Setup de fábrica razoável — chegou quase tocável
  • Excelente custo-benefício, entrega muito acima do esperado
  • Escala de maple sem verniz — bend desliza, raro nessa faixa
  • Corpo de basswood leve e bem equilibrado
✘ Contras
  • Hardware básico — tarraxas não são o ponto forte
  • Captadores funcionais mas não excepcionais
  • Potenciômetro de tone com resposta pobre
  • Não vem com bag ou acessórios

Depois de 8 meses de uso diário

A guitarra virou meu instrumento principal. Uso quase todo dia, uns 20-30 minutos. O maple sem verniz escureceu onde meus dedos mais tocam (trastes 1-5) — é o que acontece com escala natural, ela vai marcando por onde você toca. O acabamento do corpo tem umas marcas de palheta perto do pickguard. A tarraxa da 1ª corda soltou o parafuso uma vez — apertei com chave de fenda em 10 segundos.

A afinação continua estável. Os captadores soam igual ao primeiro dia. Os trastes não mostram desgaste visível. Pra uma guitarra de R$950 tocada diariamente, não tenho reclamação séria.

TC120S vs guitarras mais caras: vale a diferença de preço?

Já toquei a Squier Classic Vibe Telecaster (R$2.200) lado a lado com a TC120S. A diferença existe, mas é menor do que o preço sugere. A Squier tem captadores com mais definição nos agudos e o acabamento é mais refinado. Mas se alguém me desse as duas pra tocar de olhos fechados, não sei se eu acertaria qual é qual em 100% das vezes.

Contra a Fender Player Telecaster (R$4.500+), aí sim a diferença é clara — outro nível de dinâmica e construção. Mas é quase 5 vezes o preço. A TC120S entrega 70-75% do som por 20% do valor. Para quem está aprendendo ou tocando em casa, é um negócio absurdo.

🎸
Qual eu compraria hoje?
A TC120S sem hesitar, se o orçamento fosse até R$1.000. O braço bem acabado faz toda a diferença no aprendizado — você não luta contra o instrumento. Se eu pudesse esticar o orçamento pra R$1.400, olharia a TG-530, mas pra maioria das pessoas aprendendo em casa, a diferença não justifica os R$400 a mais. Veja o preço atual antes de decidir, porque costuma oscilar bastante.

Perguntas Frequentes

A Strinberg TC120S é boa para iniciantes?
Sim. Braço bem acabado, setup de fábrica razoável e som com personalidade real. É uma das melhores opções abaixo de R$1.000 no Brasil em 2026.
Quanto custa a Strinberg TC120S em 2026?
O preço médio fica entre R$850 e R$1.000 dependendo da loja e do período. O Mercado Livre costuma ter as melhores ofertas.
TC120S ou Squier Affinity Telecaster — qual é melhor?
A Squier tem captadores um pouco mais definidos e acabamento mais refinado. Mas a TC120S entrega 70-75% do som por 20-30% menos dinheiro. Para iniciantes, a diferença de preço dificilmente se justifica.
Precisa de regulagem antes de tocar?
A maioria chega com ação usável, mas a regulagem fina faz diferença. Baixar a ação para 2,0 mm na 6ª corda melhora muito a tocabilidade. Se você não sabe regular, qualquer luthier cobra entre R$80 e R$150 pelo setup completo.

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