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guitarrista sorrindo enquanto toca uma guitarra elétrica com a mão esquerda no braço
GUIAS TEORIA Publicado Out. 2026 · 17 min de leitura

Escala Maior: Fórmula, Notas e Como Tocar na Guitarra

A fórmula tom e semitom, as notas dos 12 tons, os graus e as posições no braço da guitarra, com tablaturas, melodias para praticar, quatro aulas em vídeo e um plano de treino de quatro semanas.

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O essencial: a escala maior é a sequência de sete notas construída com a fórmula tom – tom – semitom – tom – tom – tom – semitom. Na guitarra, isso vira 2 – 2 – 1 – 2 – 2 – 2 – 1 casas. Com essa única regra você monta a escala maior em qualquer um dos 12 tons, entende de onde saem os acordes de uma música e ganha a base para solar. Neste guia há tablaturas para tocar agora, quatro vídeos e um plano de treino de quatro semanas.

Você já tocou "dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó" e achou que isso era só um exercício de criança? Pois é a escala maior, a peça mais importante da teoria musical ocidental. Quase toda melodia que você conhece, de "Parabéns pra Você" a um solo de rock, usa as notas dela, e quase todo acorde de música popular nasce dela. Quem domina essa escala deixa de decorar desenhos soltos no braço e passa a enxergar o que está tocando.

Este guia faz parte da nossa série de teoria musical para guitarristas. Aqui vamos fundo em um único assunto: como ela é construída, como encontrá-la em qualquer tom, como tocá-la em várias posições da guitarra e, principalmente, como usá-la em músicas de verdade. Se ainda não conhece tom e semitom, o guia de teoria explica em dois minutos, e logo abaixo também resumimos.

O que é a escala maior

Uma escala é uma sequência de notas organizadas em ordem, subindo ou descendo, dentro de uma oitava. A escala maior tem sete notas diferentes, e a oitava nota repete a primeira, uma oitava acima. Por isso ela também é chamada de escala diatônica maior. O que a torna "maior" é o som: estável, claro e resolvido, daquele jeito que dá vontade de cantar junto.

A primeira nota da escala é a tônica, que dá nome à tonalidade. Na escala de Dó maior, a tônica é o Dó. Na de Sol, é o Sol. Todas as outras notas se medem a partir dela. Quando você toca as sete notas e termina de volta na tônica, o ouvido sente que a frase fechou. Esse "fechamento" é a razão de ela ser o ponto de partida de tudo: acordes, melodias, improvisos e até o estudo dos modos.

mão esquerda pressionando as cordas no braço da guitarra para tocar uma sequência de notas
Na guitarra, a escala é só uma questão de distâncias entre casas.

A fórmula da escala maior: tom e semitom

Antes da fórmula, uma revisão rápida. O semitom é a menor distância entre duas notas e, na guitarra, equivale a uma casa. O tom são dois semitons, ou duas casas. Ela é montada com cinco tons e dois semitons, sempre nesta ordem:

📐
Fórmula da escala maior: tom – tom – semitom – tom – tom – tom – semitom. Em casas da guitarra: 2 – 2 – 1 – 2 – 2 – 2 – 1. A soma é 12 casas, ou seja, uma oitava completa.

Veja a escala de Dó maior desenhada em degraus. Os arcos verdes são tons (2 casas) e os vermelhos são semitons (1 casa). Repare que os dois semitons ficam entre Mi e Fá e entre Si e Dó. Esses são os únicos pontos do teclado branco do piano onde não há tecla preta no meio.

Dó I Ré II Mi III Fá IV Sol V Lá VI Si VII Dó VIII 1 1 ½ 1 1 1 ½

Para fixar a fórmula, decore o ritmo do desenho em vez dos números: duas, duas, uma, duas, duas, duas, uma. Muitos professores resumem a fórmula assim: "dois tons, semitom, três tons, semitom". A ordem nunca muda. Se você trocar um único passo, a escala deixa de ser maior e vira outra coisa, como uma escala menor ou um modo grego.

O vídeo abaixo explica tom e semitom no violão e na guitarra com exemplos de som. Vale assistir antes de seguir, principalmente se a ideia de "casa = semitom" ainda não está natural.

Tom e semitom na prática, a base para montar qualquer escala maior. Vídeo do canal Vini Ambrose.

Escala de Dó maior: a mais fácil de entender

A escala de Dó maior é a favorita de quem ensina teoria porque não tem nenhum sustenido nem bemol: são só as sete notas naturais, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si. Se você aplicar a fórmula sobre o Dó, cada passo cai exatamente em uma nota natural. É a prova de que a fórmula funciona.

PassoNotaDistância do passo anteriorCasas na guitarra
TônicaDó (C)——
2ª notaRé (D)um tom+2
3ª notaMi (E)um tom+2
4ª notaFá (F)um semitom+1
5ª notaSol (G)um tom+2
6ª notaLá (A)um tom+2
7ª notaSi (B)um tom+2
OitavaDó (C)um semitom+1

Agora na guitarra. Em posição aberta, a escala de Dó maior começa na casa 3 da 5ª corda e sobe pelas cordas soltas e pelas primeiras casas. Toque devagar, uma nota por vez, falando o nome de cada uma em voz alta:

Escala de Dó maior em posição aberta: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, Dó
e|----------------------------------------|
B|-------------------------------0----1---|
G|---------------------0----2-------------|
D|------0----2----3-----------------------|
A|-3--------------------------------------|
E|----------------------------------------|

Outra forma de ver a fórmula é subir por uma única corda, como se ela fosse uma régua. Na 5ª corda, a Lá, saltos de 2, 2, 1, 2, 2, 2 e 1 casas produzem a escala de Lá maior, que tem três sustenidos:

Escala de Lá maior na 5ª corda: saltos de 2, 2, 1, 2, 2, 2 e 1 casas (Lá, Si, Dó#, Ré, Mi, Fá#, Sol#, Lá)
e|----------------------------------------|
B|----------------------------------------|
G|----------------------------------------|
D|----------------------------------------|
A|-0----2----4----5----7----9----11---12--|
E|----------------------------------------|

Note que, na corda Lá, os saltos de casas são exatamente os da fórmula: 0 → 2 → 4 → 5 → 7 → 9 → 11 → 12. Isso vale para qualquer corda. A fórmula não depende da nota inicial, e é por isso que uma só ideia gera as 12 escalas.

Escala maior em qualquer tom

Montar a escala maior em outro tom segue sempre os mesmos passos. Vamos fazer juntos com a escala de Ré maior, que não tem a mesma cara da de Dó:

  1. Escreva as sete letras em ordem, começando pela tônica, sem pular nenhuma: D, E, F, G, A, B, C.
  2. Meça cada passo com a fórmula (2, 2, 1, 2, 2, 2, 1 semitons) sobre as notas cromáticas.
  3. Ajuste com sustenidos ou bemóis quando o passo natural não bater com a fórmula.

Aplicando: de Ré para Mi são 2 semitons, ok, Mi natural. De Mi para Fá são só 1, mas a fórmula pede 2, então o Fá vira Fá#. De Fá# para Sol é 1 semitom, e a fórmula pede 1, ok. Sol para Lá, 2, ok. Lá para Si, 2, ok. De Si para Dó há 1, mas a fórmula pede 2, então o Dó vira Dó#. Resultado: Ré, Mi, Fá#, Sol, Lá, Si, Dó#, Ré. Na guitarra, em posição aberta:

Escala de Ré maior em posição aberta: Ré, Mi, Fá#, Sol, Lá, Si, Dó#, Ré
e|----------------------------------------|
B|-------------------------------2----3---|
G|----------------0----2----4-------------|
D|-0----2----4----------------------------|
A|----------------------------------------|
E|----------------------------------------|

Agora um exemplo com bemol, a escala de Fá maior. Seguindo o mesmo método, o Si precisa baixar meio tom para encaixar na fórmula e vira Si bemol: Fá, Sol, Lá, Sib, Dó, Ré, Mi, Fá. Na guitarra, ela pode ser tocada assim:

Escala de Fá maior: Fá, Sol, Lá, Sib, Dó, Ré, Mi, Fá
e|----------------------------------------|
B|----------------------------------------|
G|----------------------------------------|
D|-------------------------------2----3---|
A|----------------1----3----5-------------|
E|-1----3----5----------------------------|

A tabela abaixo reúne as 12 escalas maiores com as notas corretas e a quantidade de acidentes de cada uma. Repare no padrão: cada nova tonalidade com sustenidos começa uma quinta acima da anterior (Dó, Sol, Ré, Lá, Mi, Si...), e as de bemóis começam uma quinta abaixo. Esse caminho é o famoso círculo das quintas, que explicamos no guia de teoria musical.

TonalidadeNotas da escala maiorAcidentes
Dó (C)C D E F G A Bnenhum
Sol (G)G A B C D E F#1 sustenido
Ré (D)D E F# G A B C#2 sustenidos
Lá (A)A B C# D E F# G#3 sustenidos
Mi (E)E F# G# A B C# D#4 sustenidos
Si (B)B C# D# E F# G# A#5 sustenidos
Fá# (F#)F# G# A# B C# D# E#6 sustenidos
Fá (F)F G A Bb C D E1 bemol
Sib (Bb)Bb C D Eb F G A2 bemóis
Mib (Eb)Eb F G Ab Bb C D3 bemóis
Láb (Ab)Ab Bb C Db Eb F G4 bemóis
Réb (Db)Db Eb F Gb Ab Bb C5 bemóis

Ninguém precisa decorar a tabela inteira de uma vez. Comece pelas cinco escalas mais usadas na guitarra: Dó, Sol, Ré, Lá e Mi maior. Elas têm poucos acidentes e aparecem na maioria das músicas de violão e guitarra. Depois acrescente Fá e Si bemol, comuns em cantores com voz mais grave ou mais aguda.

O vídeo a seguir mostra um jeito de enxergar o desenho da escala no braço que serve para qualquer tom, justamente a ideia de "deslizar o shape". Assista com a guitarra no colo.

Um só desenho para a escala maior em qualquer tom. Vídeo do canal Filipe Martinez.

Os graus da escala maior

Cada nota da escala recebe um número, o grau, em algarismos romanos: I, II, III, IV, V, VI e VII. O grau diz qual é a função da nota dentro do tom, e é por isso que músicos conseguem trocar uma música de tom sem reaprender tudo: a estrutura continua a mesma, só as letras mudam. Cada grau também tem um nome tradicional:

GrauNomeEm Dó maiorEm Sol maiorSensação
ITônicaDóSolRepouso, "casa"
IISupertônicaRéLáMovimento leve
IIIMedianteMiSiDefine o caráter maior
IVSubdominanteFáDóAfastamento, abertura
VDominanteSolRéTensão que pede resolução
VISuperdominanteLáMiCor melancólica
VIISensívelSiFá#Muita tensão, "pede" a tônica

Dois graus merecem atenção especial. O quinto grau, a dominante, forma com a tônica a relação mais forte da música tonal: ir do V ao I soa como chegar em casa. E o sétimo grau, a sensível, fica a um semitom da tônica e cria uma tensão que o ouvido quer resolver. Ao tocar a escala de baixo para cima e parar no sétimo grau, você sente a música "incompleta". Experimente: toque Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si e pare. Seu ouvido pede o Dó final.

Os graus também medem intervalos a partir da tônica. Esse é o jeito de os músicos descreverem acordes e melodias sem citar a tonalidade. A tabela mostra quantos semitons cada grau tem em relação à tônica:

GrauIntervalo a partir da tônicaSemitons (casas)
IUníssono0
II2ª maior2
III3ª maior4
IV4ª justa5
V5ª justa7
VI6ª maior9
VII7ª maior11
VIIIOitava justa12

Decore ao menos uma linha: a terça maior (4 casas acima da tônica) é o intervalo que dá à escala o seu caráter. Se a terça fosse menor (3 casas), a escala deixaria de soar maior. É também a nota que separa um acorde maior de um menor.

Escala maior no braço da guitarra

Até aqui tocamos a escala em poucas cordas. O próximo passo é entendê-la no braço inteiro, porque na guitarra a mesma nota aparece em vários lugares. A boa notícia: o desenho da escala maior é sempre o mesmo em qualquer tom. Se você aprende a forma uma vez, move para a direita ou esquerda e muda o tom.

professor ajustando a posição dos dedos de um aluno no braço de uma guitarra elétrica
Aprender a escala com alguém ao lado ou com vídeo ajuda a corrigir a posição dos dedos.

Uma maneira prática de tocar a escala é usar três notas por corda, subindo da corda grave para a aguda. Esse formato mantém a mão parada em uma região do braço e facilita a velocidade. Aqui está a escala de Lá maior com a tônica na 6ª corda, casa 5, em três notas por corda:

Escala de Lá maior, três notas por corda (tônica na 6ª corda, casa 5)
e|------------------------------------------------------------|
B|------------------------------------------------------------|
G|----------------------------------------------6----7----9---|
D|-------------------------------6----7----9------------------|
A|----------------5----7----9---------------------------------|
E|-5----7----9------------------------------------------------|

O diagrama abaixo mostra a mesma região do braço, casas 4 a 9, com todas as notas da escala de Lá maior em todas as cordas. As bolinhas verdes são a tônica (Lá). Quando você enxergar o "mapa" inteiro, vai perceber que as notas se repetem em padrões, e é aí que ela deixa de ser decoreba:

4 5 6 7 8 9 e B G D A E G# A B C# E F# G# B C# D E F# G# A B C# D E F# G# A B C#

Três dicas para estudar a escala no braço sem travar a mão:

Quem quer aprofundar o mapa das notas no braço pode ler o guia de notas do violão, que serve igual para a guitarra, e o artigo sobre como ler tablatura, útil para entender os exemplos deste guia.

Este vídeo do canal Descomplicando a Música explica para que serve a escala maior e mostra os principais desenhos dela no braço, e complementa bem esta seção:

Para que serve a escala maior e quais são os desenhos no braço. Vídeo do canal Descomplicando a Música.

Posições e shapes da escala maior

Como a guitarra repete as notas em várias casas, a escala maior pode ser tocada em cinco posições que cobrem o braço inteiro e se encaixam como peças de um quebra-cabeça. É a mesma lógica do sistema CAGED: cada posição nasce da forma de um acorde aberto (C, A, G, E e D) e o conjunto de cinco formas recobre todo o braço. Quando você domina uma, as outras são extensões dela.

Veja onde cada posição começa para a escala de Sol maior (as casas mudam conforme o tom, o desenho não):

PosiçãoForma de origemCasas aproximadas (Sol maior)Tônica fica na…
1Forma de E2 a 56ª corda, casa 3
2Forma de D4 a 74ª corda, casa 5
3Forma de C7 a 105ª corda, casa 10
4Forma de A9 a 125ª corda, casa 10 e 3ª corda, casa 12
5Forma de G12 a 156ª corda, casa 15
⚠️
Atenção às casas: os intervalos da tabela são faixas aproximadas, pensadas para você achar a região do braço. A posição exata depende de onde você coloca a tônica. Confira sempre pelo ouvido e pelo nome das notas, não só pelo número da casa.

Não tente decorar as cinco de uma vez. A ordem que funciona melhor é: primeiro uma posição em três tons diferentes (por exemplo Sol, Lá e Dó), depois uma segunda posição, e só então juntar as duas. Pratique com o metrônomo em 60 BPM, notas de oito em oito tempos, e só suba a velocidade quando conseguir tocar três vezes seguidas sem errar.

O vídeo abaixo, do canal Marcos Lima Violão, apresenta as cinco formas (shapes) da escala maior no braço todo e é uma ótima referência para consultar durante o treino:

As cinco formas (shapes) da escala maior no braço. Vídeo do canal Marcos Lima Violão.
guitarrista sentado na cama praticando com fones de ouvido ligados à guitarra
Treinar com fone e metrônomo é um jeito silencioso de fixar a escala.

Escala maior em músicas de verdade

Toda essa teoria só vale se virar música. A forma mais rápida de sentir a escala maior funcionando é tocar melodias simples que usam apenas as notas dela. Duas ótimas para começar são "Ode à Alegria", de Beethoven, e "Brilha, Brilha, Estrelinha", ambas em domínio público e ambas tocáveis só na 1ª e 2ª cordas. Em Dó maior, os números abaixo são as casas:

Ode à Alegria em Dó maior (frase 1): Mi, Mi, Fá, Sol, Sol, Fá, Mi, Ré
e|-0----0----1----3----3----1----0--------|
B|------------------------------------3---|
G|----------------------------------------|
D|----------------------------------------|
A|----------------------------------------|
E|----------------------------------------|
Ode à Alegria em Dó maior (frase 2): Dó, Dó, Ré, Mi, Mi, Ré, Ré
e|----------------0----0-------------|
B|-1----1----3--------------3----3---|
G|-----------------------------------|
D|-----------------------------------|
A|-----------------------------------|
E|-----------------------------------|

Agora o truque que mostra o poder dos graus: tocar a mesma melodia em outro tom. Em Sol maior, a "Ode à Alegria" usa os mesmos graus, só que partindo de outra tônica. Em vez de Mi, Mi, Fá, Sol, usamos Si, Si, Dó, Ré. É o que chamamos de transposição, e a escala é o que a torna possível:

Ode à Alegria em Sol maior (frase 1): Si, Si, Dó, Ré, Ré, Dó, Si, Lá
e|-7----7----8----10---10---8----7----5---|
B|----------------------------------------|
G|----------------------------------------|
D|----------------------------------------|
A|----------------------------------------|
E|----------------------------------------|
Ode à Alegria em Sol maior (frase 2): Sol, Sol, Lá, Si, Si, Lá, Lá
e|-3----3----5----7----7----5----5---|
B|-----------------------------------|
G|-----------------------------------|
D|-----------------------------------|
A|-----------------------------------|
E|-----------------------------------|

Perceba que a melodia continua reconhecível. Os graus (3, 3, 4, 5, 5, 4, 3, 2) são os mesmos nas duas versões, e a escala de cada tom fornece as notas. Essa ideia vale para qualquer música: quem enxerga graus em vez de notas toca em qualquer tom sem sofrimento.

Outro exemplo prático: "Brilha, Brilha, Estrelinha" em Dó maior. Ela usa saltos de quinta (do Dó ao Sol) e graus conjuntos, ótimo para treinar o intervalo do I ao V:

Brilha, Brilha, Estrelinha em Dó maior (frase 1): Dó, Dó, Sol, Sol, Lá, Lá, Sol
e|-----------3----3----5----5----3---|
B|-1----1----------------------------|
G|-----------------------------------|
D|-----------------------------------|
A|-----------------------------------|
E|-----------------------------------|
Brilha, Brilha, Estrelinha em Dó maior (frase 2): Fá, Fá, Mi, Mi, Ré, Ré, Dó
e|-1----1----0----0------------------|
B|---------------------3----3----1---|
G|-----------------------------------|
D|-----------------------------------|
A|-----------------------------------|
E|-----------------------------------|

Como descobrir o tom de uma música

A escala maior também ajuda no caminho inverso: descobrir o tom de uma música pelos acordes. Pegue os acordes que ela usa, por exemplo C, F, G e Am. Procure uma escala que contenha todas as raízes: Dó, Fá, Sol e Lá estão na escala de Dó maior. Para confirmar, repare onde a música "descansa", normalmente no primeiro acorde, e veja se ele é a tônica. Se for o C, o tom é Dó maior.

Outra pista é o último acorde da música, quase sempre a tônica, e o acorde dominante (V grau) logo antes dele. Quando você ouve G7 resolvendo em C, está ouvindo V → I em Dó maior.

Escala maior e acordes: de onde sai o campo harmônico

Os acordes de uma música nascem da escala maior. Empilhando terças sobre cada nota da escala, formamos um acorde para cada grau, e juntos eles compõem o campo harmônico. Na escala de Dó maior, saem sete acordes que combinam entre si:

GrauDó maiorSol maiorTipo de acorde
ICGMaior
IIDmAmMenor
IIIEmBmMenor
IVFCMaior
VGDMaior
VIAmEmMenor
VIIBdimF#dimDiminuto

A regra que vale para qualquer escala maior: maior, menor, menor, maior, maior, menor, diminuto. Basta saber a escala para descobrir os acordes. Por exemplo, na escala de Ré maior (D E F# G A B C#), os acordes são D, Em, F#m, G, A, Bm e C#dim. Esse conjunto explica por que músicas inteiras usam só três ou quatro acordes: eles pertencem à mesma escala e combinam naturalmente. Se quiser ver essa tabela completa, inclusive para tons menores, leia o guia de campo harmônico maior e menor.

As progressões mais populares usam esses graus. A mais famosa é I – V – vi – IV (em Dó maior: C, G, Am, F), presente em centenas de músicas. Outra clássica é I – IV – V (C, F, G), a base do blues, do rock e do forró. Toque cada uma e perceba que todos os acordes saem da mesma escala.

estudante sentada na cama com um violão e um notebook ao lado, anotando o que aprende
Anotar os acordes de cada grau em um caderno acelera o estudo da escala.

Escala maior, pentatônica e modos

A escala maior é a "mãe" de outras escalas que você já ouviu falar. Três relações valem conhecer desde cedo:

Você não precisa dominar os modos agora. O ponto é entender que tudo parte da escala maior: quem a conhece bem já tem metade do caminho para os modos, a pentatônica e o campo harmônico. Quando o assunto for arpejos, o artigo sobre arpejo mostra como tocar as notas dos acordes uma a uma, e o guia de tapping aplica essas mesmas notas em uma técnica avançada.

Como usar a escala maior para solar

Para improvisar com a escala maior, siga três passos simples. Primeiro, descubra o tom da música (veja o truque lá em cima). Segundo, toque a escala do tom sobre a base, começando e terminando na tônica. Terceiro, escolha notas de repouso: a tônica, a terça e a quinta soam estáveis sobre o acorde de I. As demais são notas de passagem. Terminar uma frase nas notas de repouso é o que faz o solo "fechar".

Um exercício útil: grave uma base com os acordes C, F e G (I, IV e V de Dó maior) no celular, e improvise apenas com a escala de Dó maior, uma nota por vez, terminando sempre na tônica. Depois repita em Sol maior com D, G e C.

💡
Dica de ouro: grave a base de acordes no celular e toque a escala por cima. Seu ouvido aprende muito mais rápido quando a nota é ouvida contra o acorde, e não solta.

Plano de treino de 4 semanas para a escala maior

Consistência vence quantidade. Com 20 a 25 minutos por dia, dá para ter a escala firme em um mês. Use o metrônomo (o do celular serve) e anote seu BPM de cada semana.

SemanaFocoTreino diárioMeta de BPM
1Fórmula e Dó maiorTocar Dó maior em posição aberta, subir e descer, falando as notas60
2Outros tonsMontar Sol, Ré e Lá maior com a fórmula e tocar no braço60 a 70
3PosiçõesAprender duas posições da escala em Lá maior e Dó maior70 a 80
4MúsicaTocar "Ode à Alegria" em dois tons e improvisar sobre C, F e G80 a 90

Um jeito simples de organizar a sessão: 5 minutos de aquecimento com a escala em uma posição, 10 minutos aplicando em um tom novo, 5 minutos tocando uma melodia e 5 minutos improvisando sobre uma base. Se quiser um guia mais amplo para organizar o estudo, o artigo aprender guitarra sozinho traz uma rotina completa.

Erros comuns ao estudar a escala maior

Ferramentas que ajudam a estudar a escala maior

Para treinar a escala maior você precisa de pouco: uma guitarra afinada, um metrônomo (o aplicativo do celular resolve) e um caderno para anotar os tons que já domina. O item físico mais barato e mais útil é o afinador de clipe, porque você afina em segundos antes de cada sessão.

🎸 Afinação em dia para treinar escalas
Treinar escalas com a guitarra desafinada ensina o ouvido errado. Um afinador de clipe resolve em segundos.

Resumo: como tocar a escala maior

A escala maior é construída com a fórmula tom – tom – semitom – tom – tom – tom – semitom (2 – 2 – 1 – 2 – 2 – 2 – 1 casas) e existe em 12 tons. Comece pela escala de Dó maior, monte as de Sol, Ré, Lá e Mi, aprenda uma posição no braço e leve tudo para melodias e acordes. Quando os graus estiverem na cabeça, o campo harmônico, a pentatônica e os modos viram consequência. Para seguir no estudo, volte ao guia de teoria musical e escolha o próximo passo.

Glossário rápido da escala maior

TermoO que significa
TônicaPrimeira nota da escala; dá nome ao tom.
GrauPosição da nota na escala, de I a VII.
Escala diatônicaEscala de sete notas com cinco tons e dois semitons.
Relativa menorEscala menor que usa as mesmas notas, começando no 6º grau.
ShapeDesenho de uma escala ou acorde no braço da guitarra.
TransposiçãoTrocar uma música de tom mantendo os mesmos graus.
SensívelSétimo grau, a um semitom da tônica.
OitavaMesma nota 12 semitons acima ou abaixo.

Perguntas frequentes sobre a escala maior

O que é a escala maior?
A escala maior é a sequência de sete notas que forma o conhecido "dó-ré-mi-fá-sol-lá-si". O que a define é a distância entre as notas: tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom. Começando em qualquer nota e seguindo essa fórmula, você monta uma escala maior naquele tom.
Qual é a fórmula da escala maior?
A fórmula da escala maior é tom – tom – semitom – tom – tom – tom – semitom. Na guitarra, um tom equivale a duas casas e um semitom a uma casa, então a fórmula em casas é 2 – 2 – 1 – 2 – 2 – 2 – 1.
Quantas escalas maiores existem?
Existem 12 escalas maiores, uma para cada nota da escala cromática. Todas seguem a mesma fórmula, só mudam as notas. Na guitarra, o desenho (shape) é o mesmo em qualquer tom: basta deslizar a posição pelo braço.
Qual a diferença entre escala maior e escala menor?
A escala maior tem terça maior (dois tons acima da tônica) e soa alegre e estável. A escala menor natural tem terça menor e soa mais triste ou sombria. Cada escala maior tem uma relativa menor que usa as mesmas notas: Dó maior e Lá menor, por exemplo.
Escala maior e escala diatônica são a mesma coisa?
Quase. A escala maior é a escala diatônica mais usada, formada por cinco tons e dois semitons. Quando alguém fala "escala diatônica" sem mais detalhes, em geral se refere a ela. Os modos gregos, como o dórico e o mixolídio, também são diatônicos, mas começam em outro grau.
Preciso decorar todas as posições da escala maior?
Não. Comece por uma ou duas posições e pratique em vários tons, sempre com metrônomo. Quando a escala maior estiver firme nelas, acrescente as outras aos poucos. O sistema CAGED ajuda a conectar as posições sem decorar cada uma isolada.

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